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Home Pernambuco

Azul reduz rotas nacionais e amplia operações internacionais apesar de crise

Por Redação
12/06/2025 - 21:01
Azul prioriza voos internacionais e cancela rotas nacionais, gerando polêmica

Azul prioriza voos internacionais e cancela rotas nacionais, gerando polêmica

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Do Metrópoles – Ao mesmo tempo em que cancelou 51 rotas nacionais alegando crise financeira, a Azul passou a priorizar voos internacionais.

A companhia aérea deixou de voar para 16 cidades brasileiras em 2025, muitas das quais contavam exclusivamente com a Azul como opção. Paralelamente, a empresa expande sua rota internacional com anuência do governo Lula.

Nas duas últimas semanas, a Azul iniciou voos diretos de Recife para Porto (Portugal) e Madrid (Espanha) — ambos com origem na cidade do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que tem liderado politicamente a iniciativa. Não há contrapartida para que a companhia retome voos pelo Brasil.

Também foi lançada a rota entre Viracopos (Campinas) e Porto. Segundo a imprensa especializada, a companhia ainda pretende iniciar, em julho, voos de Belo Horizonte para os Estados Unidos, com destino a Orlando e Fort Lauderdale.

Enquanto isso, a Azul cancelou rotas em capitais como Aracaju-São Paulo; Belém– Brasília; Belém– Boa Vista; Belém–São Paulo; Belém–Natal, entre outras.

“O novo voo é fruto de uma articulação conjunta entre o Ministério dos Portos e Aeroportos, o Ministério do Turismo (MTur), a Embratur, o Governo do Estado de Pernambuco e a Prefeitura do Recife”, informou o comunicado oficial do lançamento do voo para Porto mencionando três órgãos do governo federal.

“Se não fosse pelo apoio e envolvimento de todos vocês nesse processo, não teríamos alcançado este marco”, expôs o gerente de Relações Institucionais, Regulatório e Tributário Sênior da Azul, César Grandolfo.

Em nota à coluna, o ministério disse que “as companhias aéreas têm liberdade de escolher rotas e frequência que desejam operar. Assim como seus planos de negócios dependem exclusivamente da estratégia de cada empresa, sem a ingerência do governo”.

O prefeito de Recife, João Campos, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a governadora Raquel Lyra
O prefeito de Recife, João Campos, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a governadora Raquel Lyra

Mudança de foco foi autorizada pela Anac

Os aviões e as tripulações das rotas internacionais não pertencem à Azul. A empresa firmou parceria com duas companhias aéreas estrangeiras — a euroAtlantic Airways e a HiFly, ambas portuguesas. Das 184 aeronaves da frota da Azul, 39 estão paradas.

Executivos do setor afirmam que essa manobra seria uma forma de introduzir as estrangeiras no mercado brasileiro sem a devida certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A parceria foi autorizada pelo órgão regulador. Dos cinco diretores da Anac, quatro são substitutos. Os nomes já foram indicados pelo presidente Lula, mas o Senado sentou em cima.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) reproduziu essa posição em nota de repúdio:

“A empresa europeia obteve autorização da agência reguladora para operar no Brasil. No entanto, a ‘parceria’ firmada pela Azul, sob a justificativa de ‘garantir a integridade de sua malha aérea durante a alta temporada’, é apenas uma cortina de fumaça para encobrir a concessão de rotas a uma companhia estrangeira”, afirmou o sindicato.

E complementou:

“O SNA lamenta que a Anac seja conivente com esse tipo de operação que, além de prejudicar gravemente a aviação brasileira e os trabalhadores do setor, também compromete a segurança dos passageiros — já que as passagens são vendidas pela Azul, mas os voos são operados por outras companhias.” Diante do cenário, o sindicato ingressou com ação judicial para tentar barrar a operação.

Medida visa eficiência e competitividade, diz Azul

Em nota, a Azul informou que é uma empresa de mercado e de capital aberto e “tem como um de seus compromissos a eficiência operacional e a competitividade no setor aéreo, promovendo regularmente otimizações no seu planejamento de malha”.

“Todas as mudanças fazem parte de processos normais de ajuste de mercado, e são cuidadosamente avaliadas para garantir a sustentabilidade das rotas da Companhia, mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda, sem comprometer a reconhecida qualidade dos serviços que a Azul oferece aos seus Clientes”, informou.

“Da mesma forma, a Companhia segue comprometida com a expansão estratégica de sua malha internacional, conforme demanda, reforçando a presença da Azul no exterior, ao mesmo tempo em que amplia as opções de conexões para os Clientes”, acrescentou.

Em março, John Rodgerson, CEO da companhia, disse em entrevista que o esforço da empresa “é para ensinar as pessoas a amarem mais o Brasil, conhecer mais o Brasil”.

“Eu sempre falo que é uma vergonha se você já levou seu filho para a Disney três vezes, mas não para ver as cataratas. E se você levou seu filho para Nova York, mas nunca viu o Amazonas. É uma vergonha se você já foi para Portugal ou para Buenos Aires, mas ainda não foi para Noronha”, afirmou.

Foz do Iguaçu, Fernando de Noronha e Manaus (AM) estão entre as rotas canceladas pela Azul.

O que diz o Ministério de Portos e Aeroportos:

“Pela legislação brasileira, incluindo a lei de criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Lei 14.368/2022, as companhias aéreas têm liberdade de escolher rotas e frequência que desejam operar. Assim como seus planos de negócios dependem exclusivamente da estratégia de cada empresa, sem a ingerência do governo.

Importante ressaltar que as aeronaves que operam voos internacionais não são as mesmas que operam em voos regionais, pois têm características e capacidades diferentes.

O atual governo, ao assumir em 2023, encontrou um quadro crítico das companhias aéreas. E desde o primeiro momento, o ministério procurou incentivar a sustentabilidade financeira das empresas, que saem fortalecidas após processo de recuperação judicial.

Pela primeira vez, o governo criou linhas de crédito por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), que tem como objetivo disponibilizar às companhias aéreas recursos com taxas mais atrativas para recuperação do setor, incentivando a ampliação de voos em todas as rotas, especialmente as regionais.”

A coluna procurou a Anac, mas ainda não obteve resposta.

Tags: Internacional
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