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Home Brasil

Segregação em Brasília: Estudo aponta semelhanças com Soweto, símbolo do Apartheid

Por Redação
20/11/2025 - 17:00
Brasília, uma cidade planejada, mas para quem?

Brasília, uma cidade planejada, mas para quem?

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Do G1 – Reconhecida mundialmente pela arquitetura modernista e pelo planejamento urbano inovador, Brasília, capital do Brasil desde 1960, foi criada para ser o símbolo de um futuro promissor.

O projeto, assinado por Lúcio Costa e com arquitetura de Oscar Niemeyer, sugeria a ampla utilização do espaço, a livre circulação de pedestres e belissímas vistas. A cidade era vista como uma página em branco, sem ligações com um passado que pudesse atrapalhar o progresso.

É comum, até hoje, ouvir que Brasília é uma cidade “planejada”. No entanto, cada vez mais, estudiosos se perguntam: planejada para quem?

“Milhares de pessoas vivem em territórios invisibilizados, distantes, muitas vezes sem infraestrutura mínima. E a maioria delas é negra”, diz Ludmila Correia, pesquisadora em Arquitetura e Urbanismo Sociais da UnB.
Segundo o último levantamento do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), feito em 2021, mais de 57,3% da população se declara negra.

A maior proporção está na Estrutural (75,45%). Já o Lago Sul, uma das regiões mais ricas do DF, tem a menor taxa: 32,7%.

Operários sobre um trator. Atrás, vista do prédio Dois Candangos na UnB, em 1962. — Foto: AtoM UnB/Reprodução
Operários sobre um trator. Atrás, vista do prédio Dois Candangos na UnB, em 1962

Tese compara Brasília e Joanesburgo 📚

Uma tese de doutorado defendida em 2022 na Universidade de Brasília (UnB) propõe um outro olhar sobre a capital federal.

‘No Dilacerar do Concreto’, do historiador Guilherme Oliveira Lemos, analisa a segregação urbana em duas cidades distantes geograficamente, mas com semelhanças históricas marcantes: Brasília e Joanesburgo, na África do Sul.

O estudo mostra que, mesmo com diferenças contextuais, os dois locais compartilham estruturas coloniais e racistas.

Segundo o pesquisador, a capital do Brasil foi planejada para manter a população negra e pobre afastada do centro (entenda mais abaixo).

“Assim como em Joanesburgo, as ocupações humanas nas satélites de Brasília seguiram as regras já estabelecidas pelo passado colonial”, afirma o pesquisador.

Na comparação proposta por Guilherme Oliveira Lemos, Ceilândia e Taguatinga ocupam papéis semelhantes ao bairro de Soweto (“South West Township” ou “Distritos do Sudoeste”, em português), na África do Sul. O local foi criado para realocar famílias migrantes e removidas das áreas centrais durante o regime do apartheid.

Segundo o autor, a construção de Brasília estimulou um intenso fluxo migratório, especialmente de famílias negras, indígenas e pardas da segunda geração pós-abolição, que buscavam oportunidades na construção da nova capial.

No entanto, de acordo com Lemos, o plano não era que todos vivessem no moderno Plano Piloto. Pelo contrário, muitas dessas famílias foram removidos à força de assentamentos próximos ao centro do Poder.

Para isso, foi criada, em 1958, a chamada “Faixa de Segurança Sanitária” — uma área delimitada sob uma justificativa ambiental, para proteger o Lago Paranoá.

Porém, na prática essa “faixa” funcionou como um mecanismo de segregação.

Os terrenos mais valorizados foram “reservados” para pessoas brancas e com maior poder aquisitivo, enquanto a população de baixa renda era direcionada para as cidades-satélites (anos depois rebatizadas como regiões administrativas).

Além disso, a criação da Ceilândia está diretamente ligada à maior campanha de remoções já feita no Distrito Federal: a Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que, entre 1971 e 1972, desabrigou cerca de 80 mil pessoas, de acordo com o autor.

“O fornecimento de recursos básicos à manutenção da vida nesses locais foi lento e gradual. Residências dignas, água potável e saneamento básico só chegaram à Ceilândia após 1980″, explica lemos.
Para Ludmila Correia, a exclusão foi uma decisão política e urbanística para manter o centro “limpo”, “funcional” e “racialmente homogêneo”.

“Assim que o Plano Piloto foi inaugurado, milhares de trabalhadores, vindos principalmente do Nordeste e, em sua maioria, negros, foram removidos para acampamentos improvisados e, depois, para áreas periféricas criadas às pressas, como a Ceilândia.”

Background image

O racismo na arquitetura 🧱

A pesquisa de Guilherme Oliveira Lemos também aponta que a arquitetura modernista, símbolo de inovação e progresso, ajudou a reforçar ideias de exclusão racial.

Segundo o estudo, no início do século 20, arquitetos europeus defendiam uma arquitetura “limpa”, sem ornamentos e baseada no concreto. A estética, prensente na construção de Brasília, estava ligada à ideia de ordem e pureza.

Na prática, isso significava tirar da cidade tudo o que era considerado “primitivo” — algo que, historicamente, foi associado a povos não europeus, principalmente negros.

Para a arquiteta Ludmila Correia, pesquisadora da UnB, o caso do Distrito Federal é ainda mais grave do que o de outras cidades brasileiras, porque a “segregação aqui foi planejada pelo próprio Estado”.

“A arquitetura modernista era carregada de um desejo de ordem, pureza e eficiência, associados à ideia do progresso. […] E no Brasil isso, em geral, se traduziu em remover os pobres e os negros da paisagem urbana”, explica.

Ela destaca que o acesso aos espaços mais valorizados, como o Plano Piloto, ainda é limitado: os aluguéis são altos e muitas famílias acabam “empurradas” para regiões cada vez mais distantes como o Sol Nascente – ou até cidades do Entorno do DF, como Águas Lindas (GO).

“O Plano Piloto é um exemplo claro de uma cidade linda, icônica, com acesso pleno à vida urbana — mas que é privilégio de poucos.”

Traços que escondem a violência

De acordo com Lemos, os traços modernistas escondem ainda camadas de violência. Ao falar da construção de Brasília, ele lembra que os “candangos” foram tratados como parte da estrutura, como se fizessem parte dos monumentos.

Um símbolo disso, diz o autor, é a história dos chamados “Dois Candangos”. Os operários Expedito Xavier Gomes e Gildemar Marques, ambos negros, morreram soterrados na construção do primeiro prédio da Universidade de Brasília (UnB).

No lugar do acidente foi erguido um auditório, que recebeu o nome de “Dois Candangos” em homenagem às vítimas (veja imagem acima).

“Os ‘Dois Candangos’ foram massificados no imaginário da cidade apenas como ‘trabalhadores’, ‘operários’ ou ‘proletariados’. Uma categoria identitária que não revela a complexidade da história brasileira, mas, antes, oculta as origens históricas das desigualdades de um país que entrava no pós-abolição”, afirma o pesquisador.
Ludmila defende que o combate ao racismo urbano passa pelo reconhecimento da desigualdade como parte do projeto original da cidade e da urgência de mudar esse cenário.

“Significa também reconhecer que o direito à cidade deve ser coletivo, diverso e includente, e que os territórios periféricos têm direito não só à moradia, mas ao pertencimento e à dignidade em sua forma mais ampla”, Ludmila Correia.

Tags: BrasíliaRacismo
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