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Paulo Moraes recorda a campanha memorável do Santa Cruz em 1975

Por Ricardo Antunes
07/12/2025 - 17:28
O Santa de 75: craques e mitos de uma história.

O Santa de 75: craques e mitos de uma história.

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Por Paulo Moraes – Campanha preciosa, aquela do Brasileiro de 1975. Foram jogos antológicos, vitórias notáveis. Como aquele 1 a 0, gol de Pio, sobre o Internacional do hoje técnico Falcão, do agora comentarista Batista, do goleiro pernambucano Manga, do zagueiro chileno Figueroa, de Dario, o Rei Dadá, do ponta-esquerda Lula, outro pernambucano de futebol fabuloso. E o 3 a 2 no Palmeiras, no antigo estádio do Parque Antarctica – ou Palestra Itália, como queiram os senhores. Nos meus sonhos diários, vejo a bola rolar de pé em pé, nos pés de Givanildo, de Levir (o hoje treinador Levir Culpi), do zagueiro Lula (quando virou técnico acrescentou o Pereira no nome), do lateral Pedrinho (foi do Bangu e do Corinthians), de Nunes, o cabelo de fogo, que se consagrou depois no Fluminense e no Flamengo, de Fumanchu (que ponta, hein?!), que veio do Vasco e jogou também no Sport e no Fluminense, de Pio, que só chutava com o pé esquerdo, mas como chutava, viu?! Eu também só chutava com o pé esquerdo naqueles tempos de menino, mas sem a força e a pontaria de Pio, que veio do Palmeiras. De Mazinho, de Ramon.

Dois jogos são guardados na memória de nós, os tricolores. Na quinta-feira 4 de dezembro, que noite, velho Maracanã! Que noite, que noite… O velho Santa, eternamente novo nas nossas cabeças. Três a um no Flamengo. Ramon fez dois gols. Volnei fez um. Zico fez o deles, foi de pênalti. É, amigos, ganhamos e perdemos ao mesmo tempo. Eita noite histórica e deslumbrante. Foi, é verdade, um feito pra ninguém esquecer. Tanto é que na sexta-feira teve uma multidão no Aeroporto dos Guararapes, no desembarque do Santa. Teve multidões nas ruas até a chegada à Avenida Beberibe, no Bairro do Arruda, reduto do Mais Querido.

Falei lá em cima que também perdemos. Perdemos porque do avião desceu um jogador quebrado e que seria um ponto chave na semifinal do campeonato contra o Cruzeiro, no Arruda. O meia Mazinho, que o repórter do Diário de Pernambuco, Júlio José, chamara de ‘o deus de Ébano’, era o maestro do time, talvez o melhor do time, sem desmerecer os demais. Ele voltou do Rio machucado. Se perguntar a Mazinho, certamente ele vai dizer que não fez falta na semifinal contra o Cruzeiro de Raul, de Nelinho, de Piazza, de Zé Carlos, de Palhinha e de tantos outros. Fez falta, sim. E muito. No lugar dele, jogou Alfredo, que veio do Guarani de Campinas. Alfredo era um bom meia, mas só que não era maestro. Faltou, então, o maestro. Arrisco a dizer que, se Mazinho estivesse em campo, o Santa, possivelmente, venceria o jogo e estaria na final com o Internacional, que acabou campeão ao ganhar do Cruzeiro por um a zero, gol de Figueroa.

Na derrota do Santa para o Cruzeiro, eu estava lá ao lado de uns 40 mil torcedores. Vi Zé Carlos fazer um gol impedido para o Cruzeiro. E vi Palhinha marcar o terceiro gol da vitória mineira aos 45 minutos do segundo tempo. O empate, se continuasse na prorrogação, classificava o Santa. E mais: jogaríamos a final no Arruda. O atacante Ramon, em entrevista ao jornal A Folha de  Pernambuco, fez este relato:

“Abrimos o placar, mas depois o time deles marcou um gol impedido. Foi uma falha clamorosa do Romualdo Arppi Filho (o juiz do jogo), mas conseguimos nos recuperar e segurar o 2 a 2. A gente sabia que eles estavam cansados por conta do calor e que se jogo fosse para a prorrogação tínhamos mais chance de vencer. Mas tomamos aquele gol no final. Foi muito doloroso, saí chorando muito. Sonhávamos com o título, mas temos que nos orgulhar da campanha. Aquele Santa foi histórico'”.

Foi histórico, sim. Aquele 7 de dezembro, de 40 anos atrás, está escrito em letras grandes e saudosas na memória dos tricolores. Que domingo de saudade, saudade do quarto lugar do Brasileirão, mesmo na derrota para o Cruzeiro. Eita, Santa maravilhoso. Maravilhoso, mesmo.

*Texto escrito em 2015 no GE para lembrar os 40 anos da campanha histórica.

Tags: EsporteSanta Cruz
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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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