Por Ricardo Antunes – O jornalista e economista Manoel Medeiros, responsável pelo Blog Manoel Medeiros, tem sido alvo de uma ação de poderosos escritórios de advocacia, contratados por secretários da gestão João Campos (PSB) e também empresários, no sentido de constranger e censurar sua atividade, entre eles as bancas de Ademar Rigueira e Eduardo Trindade.
Já são nove processos em menos de um mês, incluindo a instauração de um inquérito policial a pedido do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) no âmbito de um processo impetrado pelos principais assessores do prefeito a respeito de reportagens assinadas por Manoel revelando a existência de uma empresa chamada “Sítio Pedra da Onça Ltda.”.
Ademar Rigueira é o mais próximo advogado criminalista do PSB pernambucano e esteve inclusive na festa de casamento do prefeito João Campos, no último sábado, em Carneiros. Eduardo Trindade também é muito ligado.

Chama atenção a rapidez com que o próprio Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) passou a atuar no processo, ensejando a abertura do inquérito policial por parte da promotora Henriqueta de Belli Leite de Albuquerque, fato que não é comum em processos relacionados a supostos crimes de calúnia, já que se trata de tipificação caracterizada como privada exclusivamente aos que se sentiram ofendidos.
As ofensivas deixam evidente que a eleição de 2026 já começou e que todas as armas possíveis estarão à disposição, incluindo a tentativa de censura de imprensa que faz trabalho investigativo.
Uma das principais frentes de ataque partiu do escritório do advogado Ademar Rigueira, que já deu entrada a dois processos criminais para Manoel responder judicialmente a uma série de questões, entre elas até mesmo quem são suas fontes nas matérias relacionadas à Operação Barriga de Aluguel, trancada por decisão do ministro Gilmar Mendes (STF).
“O interpelado pode precisar quem é essa fonte? O interpelado pode precisar se essa fonte obteve a informação e os documentos probatórios de algum serventuário do Ministério Público?”, questiona o advogado. Apesar do notório saber jurídico do criminalista, parece ter esquecido o direito constitucional do sigilo da fonte.
O interrogatório proposto por Rigueira tem mais de 30 perguntas ao jornalista. Uma coisa absolutamente descabida.
Em outra frente, os mais próximos auxiliares do prefeito João Campos (PSB), entre eles o secretário de Governo, Gustavo Monteiro, e o chefe da Assessoria Especial, Antonio Limeira, processam o jornalista em cinco ações – nas esferas criminal e civil – o pelas reportagens sobre o Sítio Pedra da Onça Ltda., pessoa jurídica fundada por eles e pelo vice-prefeito do Recife, Victor Marques, em janeiro de 2024.
Na seara criminar, Eduardo Trindade é o advogado e na cível, Paulo Maciel. As atividades da empresa, segundo a Receita Federal, são “comercialização de imóveis próprios”, “loteamento de imóveis próprios”, “aluguel de imóveis próprios”, “criação de bovino de corte” e “criação de equinos e produção de sêmen”.
Os secretários pediram em caráter liminar a exclusão de todas as reportagens e vídeos que Manoel Medeiros publicou sobre o assunto. Na concessão de liminar parcial, a juíza Iasmina Alves ordenou a exclusão de dois vídeos e a retirada de expressões dos textos mantidos, como “lavagem de capitais” e “ocultação de patrimônio”. Outros materiais puderam seguir online.












