Por Maria Clara Trajano, Do JC – Permissionários de quiosques da orla de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, cobram melhor comunicação com a Prefeitura do Recife e o cumprimento dos prazos nas obras de requalificação do calçadão.
Segundo os trabalhadores, a promessa da prefeitura é entregar um trecho de quatro quiosques no prazo de 90 a 120 dias, entretanto, os quiosqueiros relatam que a execução tem demorado mais que o previsto e novas frentes de obras têm sido abertas antes da conclusão das anteriores.
Tesoureiro e presidente de honra da Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife (ABCR), Tomé Ferreira, o Zezinho do Coco, afirma que faltam informações claras sobre o andamento das intervenções.
“Essa obra na Avenida Boa Viagem não tem até agora uma resposta concreta. Disseram que cada trecho levaria de 90 a 120 dias, e isso não vem acontecendo”, aponta.
Segundo ele, o trecho entre os quiosques um e cinco foi iniciado em abril e finalizado apenas em dezembro, totalizando oito meses, o dobro do prazo máximo previsto para a conclusão.
“Em outubro, começou o lance entre os quiosques seis e nove. Era para terminar, no máximo, no final de janeiro. Não terminou. Nós tivemos uma reunião no dia 28 de janeiro com a prefeitura, que afirmou que por volta de 14 de fevereiro o trecho dos quiosques seis e sete, e provavelmente oito, já estaria completo com os tijolos intertravados. Mas começaram a colocar os tijolos no dia 16, e não terminaram nada”, relata.
Permissionária do quiosque 16, Clemilda também está insatisfeita com a morosidade da obra. “Está demorando muito. O certo era fazer no máximo quatro quiosques por vez, mas estão querendo abrir a orla inteira”, afirma.
Queda no movimento
A demora tem impacto direto na renda dos permissionários. “Isso acaba com o movimento. A gente vive disso aqui e não tem outra renda”, diz Zezinho.
Clemilda expressa sua preocupação com a chegada das obras no quiosque administrado por ela.
“Nós não temos reserva financeira nenhuma. A gente sobrevive dos quiosques. Ninguém aqui tem reserva para sustentar sete, oito meses, não. Eu tenho um esposo acamado, que teve um AVC, meu custo com ele é muito alto, e minha preocupação toda é essa: a entrega da reforma, que está demorando demais e trazendo transtorno para todos nós”, conta.
Permissionária do quiosque 6, Prazeres relata forte redução de clientes durante as obras. “O movimento caiu totalmente. Tem cliente reclamando de poeira e desorganização. A reforma precisa ser feita, mas o movimento caiu muito”, afirma.
Situação semelhante é descrita por Everaldo Luís, permissionário do quiosque 11. “O movimento caiu entre 80% e 90%. A nossa maior reivindicação é que as obras andem e que seja cumprido o prazo de 90 a 120 dias”, diz.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que as obras seguem o cronograma previsto e são realizadas por etapas para reduzir impactos.
Segundo o município, parte das intervenções já foi concluída, como o trecho entre o antigo Clube da Vara e o Primeiro Jardim até a entrada de Brasília Teimosa. A previsão é entregar mais dois quilômetros requalificados até abril e concluir o último trecho no segundo semestre de 2026.
Ainda de acordo com a gestão, no trecho iniciado no quiosque 6, os serviços estão na fase final, com execução do novo piso do calçadão. A Prefeitura afirma que a abertura de novas frentes faz parte da dinâmica dos trabalhos e que o acesso aos quiosques permanece garantido.
O município também informou manter diálogo permanente com os permissionários e destacou que cerca de 200 profissionais atuam na execução e acompanhamento das obras.
Confira a nota na íntegra:
“A Prefeitura do Recife informa que as obras de requalificação da Orla seguem o cronograma previsto e estão sendo executadas por etapas, justamente para reduzir impactos a comerciantes, trabalhadores, moradores e frequentadores. Parte das intervenções já foi concluída, como o trecho em frente ao antigo Clube da Vara e do Primeiro Jardim até a entrada de Brasília Teimosa. Até abril deste ano, a previsão é entregar mais dois quilômetros requalificados, enquanto o último trecho, com três quilômetros, tem conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.
No trecho que começa no quiosque 6, os serviços estão na fase final, com a execução do novo piso do calçadão. A abertura de novos pontos de obra faz parte da dinâmica dos trabalhos e é feita de forma planejada, sem impedir o funcionamento dos quiosques nem a circulação de trabalhadores e pedestres.
A Prefeitura reforça que o acesso aos equipamentos permanece garantido durante todo o serviço, com sinalização e organização das frentes de trabalho. O município também mantém diálogo permanente com os permissionários dos quiosques e segue acompanhando a execução para reduzir ao máximo os impactos na Orla. Ao todo, cerca de 200 profissionais estão mobilizados na execução, fiscalização, gerenciamento e acompanhamento social da obra.”












