Do UOL – A alegação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de que não houve tempo hábil para analisar os pedidos de prisão de Daniel Vorcaro e outros três investigados na terceira fase da Operação Compliance Zero causou mal-estar entre integrantes do MPF de diferentes estados.
Gonet não se manifestou sobre pedidos de prisão no prazo determinado por André Mendonça. Ministro do STF deu 72 horas para a PGR se manifestar sobre pedidos feito pela PF que levaram à operação de hoje. Em sua manifestação, Gonet alegou prazo exíguo para analisar um caso desta complexidade e pediu que o Supremo aguardasse mais tempo por sua manifestação. André Mendonça, porém, não esperou e atendeu a pedidos da PF.
A PGR recebeu relatório de mais de 700 páginas com o pedido de prisão da PF na sexta passada. Na segunda-feira, foi recebido mais um relatório semelhante, desta vez com os pedidos de buscas. É comum nestes casos a PF utilizar um mesmo relatório com o resumo da investigação para pedir medidas diferentes.

Pedidos da operação foram feitos em três petições . Na prática, o prazo para analisar os pedidos teria sido menor que as 72h. Na avaliação interna da PGR, como não havia nenhum investigado preso, o prazo dado por Mendonça para um caso tão complexo e volumoso não se justificaria. A medida ainda assim tem causado críticas internas de membros do MPF.
Trecho de manifestação de Gonet que foi citado na decisão de André Mendonça causou mal-estar na PGR. Integrantes viram PGR fragilizada diante da PF que, mesmo com rusgas recentes na corte, tem conseguido se impor e deflagrar suas operações. Além disso, em diálogos internos segundo apurou o UOL, membros do MPF teriam comentado que já havia informações sobre as ameaças feitas por Vorcaro e atuação junto a influenciadores desde o ano passado e que a PGR já poderia ter pedido a prisão do banqueiro antes.
Também há críticas internas ao fato de que o PGR poderia acionar mais pessoas para atuar nesses casos. Como chefe do órgão, procurador-geral da República tem poder de fazer nomeações e manejar sua equipe. Ele conta com auxiliares para conduzir casos sensíveis e sempre revisa tudo antes de enviar as manifestações ao STF.
Na PGR, a avaliação é de que a gestão de Gonet tem se preocupado em não promover atos que possam ser anulados no futuro. Gabinete do procurador-geral tem adotado máxima cautela em casos criminais para evitar anulações como ocorreu em gestões passadas.












