Por Ricardo Antunes – O empresário João Carlos Mansur, ligado ao grupo que atua em projetos de arenas e concessões de equipamentos públicos, prestou depoimento no dia 11 de março na CPI do Crime Organizado, em Brasília.
O empresário aparece na concessão do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, o Geraldão, no Recife que foi muito festejada pelo prefeito João Campos (PSB).
A concessionária RIVE, estruturada para administrar o equipamento esportivo, venceu o processo de concessão do complexo em contrato estimado em R$ 228,7 milhões ao longo de 35 anos, valor que inclui investimentos, custos operacionais e exploração econômica do equipamento.
Fundador da Reag Investimentos, Mansur foi ouvido no contexto das investigações que envolvem operações financeiras suspeitas associadas ao Banco Master.
Amparado por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, o empresário compareceu à comissão, mas deixou de responder a diversas perguntas potencialmente incriminatórias, exercendo o direito constitucional ao silêncio.
Durante a sessão, Mansur confirmou que o Banco Master era cliente da gestora e negou qualquer ligação com organizações criminosas.
A repercussão política ocorre porque empresas ligadas ao mesmo ecossistema empresarial participam da estrutura que envolve a concessão do Geraldão.
Uma dessas empresas é a Revee, companhia voltada à gestão de arenas e projetos de entretenimento criada dentro do ambiente empresarial associado à Reag. Foi justamente nessa empresa que Mansur ocupou um dos principais cargos de governança: ele era presidente do conselho de administração.
Em janeiro de 2026, no entanto, o empresário renunciou ao cargo de presidente do conselho da Revee, movimento ocorrido no momento em que investigações federais envolvendo operações financeiras associadas ao Banco Master ganharam maior repercussão.
No caso do Geraldão, a operação do equipamento público é conduzida pela Rive, concessionária estruturada especificamente para administrar o complexo esportivo e explorar economicamente o equipamento.
A concessão foi formalizada em 30 de abril de 2025, quando a gestão do prefeito João Campos assinou o contrato que entregou a operação do Geraldão à iniciativa privada por 35 anos. Na ocasião, João Campos apresentou o projeto como um modelo de parceria público-privada voltado à modernização do equipamento esportivo e à ampliação de sua exploração comercial.
A estrutura empresarial por trás da concessão envolve investidores privados e grupos ligados ao mercado financeiro. Nesse ambiente aparece a conexão com a Reag Investimentos, gestora fundada por Mansur, que tem entre seus clientes o Banco Master — instituição atualmente no centro das investigações debatidas na CPI.
A situação chama atenção política porque a concessão do Geraldão foi uma das vitrines administrativas da gestão de João Campos. O projeto foi apresentado pela prefeitura como símbolo da modernização da infraestrutura esportiva da capital pernambucana.
Até o momento, não existe decisão judicial que afete diretamente o contrato do ginásio. Ainda assim, o avanço das investigações sobre o Banco Master e a exposição do empresário João Carlos Mansur no Senado colocam sob escrutínio a cadeia de relações empresariais que, direta ou indiretamente, alcançam a concessão de um dos principais equipamentos públicos administrados pela prefeitura comandada por João Campos.
Caso as apurações federais avancem e ampliem o foco sobre as conexões empresariais investigadas, a concessão do Geraldão — celebrada politicamente pela gestão de João Campos — pode acabar sendo incluída em um debate mais amplo sobre os critérios adotados na escolha de parceiros privados em projetos públicos.












