Do DCM – Há menos de dois meses em um novo cargo, Fabrício Marta pediu demissão da Globo após quase 30 anos de atuação na emissora. A promoção havia sido anunciada no fim de janeiro, mas ele decidiu deixar a empresa por discordar de decisões internas do jornalismo. Em publicações nas redes sociais, ele relatou cortes de horas extras, criticou mudanças na gestão e descreveu o ambiente nos bastidores como caótico.
O ex-chefe de produção dos jornalísticos de rede nacional também contou que sofreu um infarto pouco antes do Carnaval, dentro da redação do “Jornal Nacional”. “Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência”, escreveu. Segundo ele, o pedido de demissão foi enviado aos chefes por WhatsApp ainda no hospital, mas não teve relação direta com o problema de saúde, e sim com “conjunturas internas” que, segundo afirmou, já não combinavam com sua trajetória profissional.
Entre os episódios citados por Marta está a tarefa de comunicar a produtores o fim do pagamento de horas extras no encerramento de 2025. Ele classificou a medida como “perversa” e relatou o impacto da decisão sobre funcionários que dependiam desse valor para despesas pessoais e familiares. Em uma das postagens, afirmou que precisou avisar um produtor que perderia cinco horas extras por dia, mesmo com a remuneração combinada anteriormente de forma verbal.

“Um dos pedidos mais perversos, data do fim do ano passado, quando ‘fui convidado’ a convocar produtores que ganhavam horas-extras e avisá-los sobre o corte, no facão, já no mês corrente”, escreveu.
“Esse mal ajambrado foi lavrado e validado pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a mim anunciar a nova condição salarial da garotada. Um produtor tinha 5 horas extras por dia, apalavradas de boca. O menino quase passou mal, ao saber do corte: ele estava pagando a faculdade da mãe. A mim, me coube aquietá-lo, mas também incentivá-lo a alternativas profissionais e dignas. E esse produtor trabalha, viu?! Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem!”.












