Da Folha de S.Paulo – Não é lenda urbana. Uma parte importante do negócio de Daniel Vorcaro, quando dono do Banco Master, foi investir em eventos para autoridades da República com muitas mulheres —e é fato que havia moças de Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela, para citar exemplos de nacionalidades.
Cruzando entrevistas, postagens em redes sociais e documentos da PF (Polícia Federal), a Folha identificou 20 dessas mulheres que participaram de festas, 14 com perfis públicos no Instagram. Procuradas pela reportagem, elas não comentaram sobre os eventos nem sobre Vorcaro.
Havia também brasileiras. Entre elas, algumas deixaram estados como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em busca de oportunidades e contatos para ascender profissionalmente e acabaram aceitando a oferta de apoio financeiro da equipe de Vorcaro para ficar à disposição dos eventos.
A importância desses encontros para Vorcaro e a razão da presença dessas mulheres foram definidas por ele à então noiva, Martha Graeff, durante uma discussão. Graeff estava indignada porque ele mantinha contato na rede social com mulheres que ela considerava “putas”.
“Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro, em uma troca de mensagens datada de 18 de agosto de 2025, levantada pelas investigações em um dos celulares do ex-banqueiro.

Segundo entrevistas feitas pela reportagem com 17 executivos que foram a algum desses eventos ou ouviram relatos de quem frequentou, o mencionado “business” foi bem estruturado.
Como a Folha mostrou, Vorcaro organizou infraestrutura, equipe e logística para que seus encontros pudessem ocorrer em dias úteis à margem de eventos oficiais no Brasil e no exterior, já que seu público-alvo eram políticos e outras autoridades que precisavam retornar às suas bases e famílias nos finais de semana.
Procurada, a defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria sobre o tema.
Muitas das modelos mantêm contato com o promotor de eventos Diogo Batista e a influencer Karolina Trainotti. Batista era visto com frequência nos hotéis de luxo Unique e Rosewood, em São Paulo.
Reportagem da Folha mostrou que Batista fazia a ponte com as modelos e participava da organização dos eventos até 2024, quando teve um desentendimento com Vorcaro. Parte do trabalho, então, foi transferida para Trainotti —a mesma que recebeu um apartamento de quase R$ 4,4 milhões, em São Paulo, da Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro e investigada pela PF.
Ambos foram procurados pela reportagem e não se manifestaram.












