Por Ricardo Antunes – A manifestação do ex-prefeito João Campos (PSB), que contou com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pegou muito mal para o prefeito Victor Marques (PCdoB). Candidato ao Governo de Pernambuco, o manda-chuva do PSB acabou ofuscando o novo gestor justamente em seu primeiro teste de fogo, diante da crise provocada pelas chuvas.
Pior: ao se meter em um assunto que envolve diretamente a Prefeitura do Recife, o Governo do Estado e o Governo Federal, João Campos praticamente abriu espaço para a oposição reforçar o discurso de que Victor Marques seria apenas um “poste”.
Mesmo fora do cargo desde 3 de abril, a movimentação passou a impressão de que o ex-prefeito ainda dita o ritmo das decisões.
Além disso, João Campos se articulou diretamente com outros prefeitos e buscou protagonismo ao acionar Lula, assumindo um papel de interlocutor político que, na prática, deveria ser exercido pelo atual prefeito da capital — e pela governadora Raquel Lyra (PSD), que também errou ao não ter acionado o presidente antes de seu adversário. Institucionalmente, esse papel é dela, mas o PSB não brinca em serviço na hora de tentar faturar politicamente.

O gesto não só esvazia Victor Marques, que vem se portando muito bem em seu primeiro mês à frente da gestão municipal, como também reforça a percepção de dependência política — uma impressão que parece que João Campos quer manter, mesmo com 2028 logo ali.
Nos bastidores, a leitura é clara: ao tentar capitalizar politicamente a crise, João Campos acabou atropelando seu próprio sucessor. Para adversários, o recado foi dado — o ex-prefeito segue no comando, enquanto o atual ainda vai ter que lutar muito para ter brilho próprio, já que o criador não parece se importar muito com o destino político da criatura.
É justo se manifestar em torno dos problemas da população, mas é preciso que alguém mais experiente no PSB avise ao candidato que ele, hoje, é apenas postulante ao governo, e não governador de Pernambuco. Não adianta fazer vídeo dizendo que a medida “não tem partido nem bandeira política” e agir justamente de forma contrária. O oportunismo político em torno de tragédias não pega bem, e todo excesso exala um cheiro de arrogância.
É isso. Como ninguém disse, a gente vai lá e diz. O que vocês acham?











