Por Fabio Serapião, do UOL – A Polícia Federal (PF) investiga dois caminhos utilizados pelo Banco Master para pagar propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O senador é alvo de busca e apreensão na 5ª fase da operação Compliance Zero, que investiga as fraudes envolvendo o Master de Daniel Vorcaro.
As descobertas sobre propina para o senador tiveram origem em celulares apreendidos nas fases anteriores da investigação, entre eles o de Daniel Vorcaro.
Segundo apurou o UOL, Ciro teria recebido cerca de R$ 18 milhões em propina por meio de depósitos mensais na conta de uma empresa ligada a ele e, também, via uma negociação de compra de outra firma relacionada ao grupo Master.
“No plano patrimonial, aponta-se a percepção de vantagens reiteradas, materializadas por pagamentos mensais, aquisição societária com expressivo deságio, custeio de despesas pessoais e fruição de bens de elevado valor, além de indícios de recebimento de numerário em espécie”, diz trecho da decisão de André Mendonça que autorizou as buscas contra o senador.
No caso da compra da empresa, a suspeita da PF é que Ciro Nogueira tenha comprado parte da empresa por valor abaixo do real.
Esse deságio na compra teria gerado a propina ao senador.
Nos dois casos, a operacionalização do repasse de propina teria tido participação de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Felipe Vorcaro foi preso hoje pela PF. Ele já havia sido alvo de busca e apreensão nas fases anteriores da Compliance Zero.
O UOL entrou em contato com a defesa de Ciro Nogueira e aguarda resposta. A reportagem tenta contato com a defesa de Felipe Vorcaro.
A investigação
A investigação aponta a aquisição, pelo senador, do CNLF Empreendimentos Imobiliários —administrada formalmente por Raimundo Neto, irmão do senador—, de 30% da Green Investimentos por R$ 1 milhão. A PF estima o valor de mercado da participação em cerca de R$ 13 milhões.
Além disso, há um pagamento mensal de R$ 300 mil, posteriormente elevado para R$ 500 mil, por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”, um suposto rendimento dessa participação. Em mensagens de junho de 2025, Vorcaro cobra de Felipe Vorcaro o atraso de “dois meses” nos repasses ao “ciro”.
Investigadores também encontraram o uso por tempo indeterminado de imóvel de propriedade de Vorcaro como se fosse do parlamentar.
O Master também teria patrocinado viagens internacionais, como hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes e voos privados atribuídos ao senador e a uma acompanhante.
Em diálogo citado pela PF, um intermediário pergunta a Vorcaro se “os meninos” deveriam continuar pagando contas de restaurantes “do Ciro/Flávia”, ao que o banqueiro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.











