Do O Globo — A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira foi recebida com alívio no entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após dias de preocupação com os possíveis reflexos eleitorais da operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. Embora não tenha anunciado uma aliança formal com o PL, o parlamentar é um dos principais nomes da oposição no Congresso e foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro.
Entre integrantes da pré-campanha de Flávio, a avaliação predominante é que o episódio provocou ruído na articulação política com a federação União-PP, mas não contaminou a construção da candidatura presidencial do PL. O principal dado explorado internamente foi a manutenção do empate técnico entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário de segundo turno. Lula aparece agora com 42% das intenções de voto, contra 41% do senador do PL, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior da pesquisa, Flávio tinha 42%, enquanto o petista registrava 40%.
Auxiliares de Flávio afirmam reservadamente que havia preocupação de que a operação envolvendo Ciro acabasse irradiando desgaste sobre o campo da direita num momento de consolidação da pré-candidatura bolsonarista, especialmente após governistas tentarem vincular o caso Master ao grupo político do senador e transformar o episódio em ativo eleitoral contra o PL. A leitura agora é que o governo conseguiu aliviar momentaneamente a pressão sobre Lula ao transferir parte do desgaste político para a oposição, mas sem converter esse movimento em vantagem eleitoral consistente sobre Flávio.

No núcleo político do senador, a percepção é que a oscilação favorável a Lula está mais ligada à melhora da avaliação do governo. A aprovação do petista subiu de 43% para 46%, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 49%. Aliados de Flávio atribuem esse movimento principalmente ao relançamento do Desenrola e à repercussão positiva do encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Integrantes da campanha avaliam que os episódios ajudaram Lula a interromper uma sequência de desgaste registrada desde o início do ano e recuperar parte do eleitorado independente.
— Não gosto de comentar pesquisa, mas o que vejo é uma rejeição cristalizada a Lula. O resto é margem para cima e para baixo. Nós temos um candidato muito competitivo e estamos animados com o resultado — afirmou o senador Rogério Marinho, coordenador político de Flávio.
O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, aliado de Flávio, foi além e acusou o PT de tentar transferir para o bolsonarismo o desgaste provocado pelas investigações sobre o Banco Master.











