Da Redação — A defesa do cidadão chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, preso no Brasil após episódio envolvendo acusações de racismo e homofobia durante um voo internacional, protocolou pedido à Justiça Federal solicitando avaliação da condição clínica e do estado mental do estrangeiro.
Segundo o advogado criminalista Carlos Kauffmann, responsável pela defesa, Germán realiza tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, possui histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada.
De acordo com a defesa, as informações médicas foram levadas oficialmente às autoridades para demonstrar que o chileno necessita de acompanhamento e avaliação especializada, independentemente da manutenção da prisão.
Ainda segundo Kauffmann, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo, afirmando estar profundamente abalado, envergonhado e arrependido. O estrangeiro também apresentou pedido público de desculpas ao tripulante envolvido no caso e aos brasileiros.
Leia abaixo, na íntegra, a declaração do advogado Carlos Kauffmann:
“Estivemos com Germán hoje, e ele fez uma declaração na qual reconhece que, em razão do tratamento psiquiátrico ao qual é submetido há mais de 13 anos, além da medicação que utiliza e das internações pelas quais já passou, não sabe exatamente o que aconteceu. Não tem noção do que houve. Está extremamente triste, consternado e envergonhado com toda a situação, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido.
Ele afirma que essa conduta é incompatível com sua vida e seu histórico, e que jamais poderia agir dessa forma de maneira consciente ou intencional. Nesse sentido, o que Germán precisa é de tratamento. Ele faz uso de medicação controlada e certamente precisará de acompanhamento para que possa se recompor.
Peticionamos hoje à Justiça Federal para apresentar dados e fatos até então desconhecidos, demonstrando que Germán necessita de tratamento médico, já foi internado, faz uso de medicação controlada e precisa ter sua condição e seu estado mental avaliados, ainda que permaneça preso.”
Leia abaixo, na íntegra, o depoimento de Germán aos seus advogados:
“Eu acredito em todos os seres humanos. Amo as pessoas sem diferenças. Acredito no amor sem diferenças. Durante toda a minha vida, procurei ajudar as pessoas sem distinção.
Fiquei chocado com as minhas palavras no vídeo. Isso não reflete aquilo em que acredito. Perdi meu irmão há algum tempo e bebi demais. Também estava passando por tratamento psiquiátrico.
Gostaria de dizer a todas as pessoas que aparecem no vídeo que aquela pessoa não era eu, mas alguém fora de si. Envio meu amor a todos e minhas sinceras desculpas a quem machuquei.
Bruno, provavelmente você está magoado demais para me perdoar agora, mas espero ter a oportunidade de me desculpar pessoalmente com você.
Repito: aquela pessoa não era eu. Minha mente estava em um estado alterado. Gostaria de ter a oportunidade e a permissão de escrever esta carta de próprio punho, mas, por ora, precisei pedir que meu advogado a redigisse.”












