Por Danilo Duarte – O São João de Caruaru, tradicionalmente conhecido como o “Maior e Melhor do Mundo”, virou alvo de um escândalo que vem sacudindo a gestão do prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD). O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) emitiu uma recomendação urgente à Prefeitura e à Fundação de Cultura e Turismo do município para frear o que está sendo apontado como uma verdadeira farra de gastos e superfaturamento nas contratações artísticas para os festejos juninos de 2026.
A medida, assinada pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Caruaru, joga luz sobre um rombo milionário. Uma auditoria minuciosa, cruzando dados dos Painéis de Transparência do MPPE e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), revelou um aumento desproporcional e completamente acima da inflação nos valores dos contratos deste ano. E, claro, alguém está ganhando muito dinheiro com isso.
A investigação constatou que as contratações diretas (feitas por inexigibilidade de licitação) superam, de longe, a média histórica cobrada pelos próprios artistas em períodos sazonais anteriores. No total, o órgão fiscalizador identificou um excesso global superior a R$ 2 milhões, que sairá diretamente dos cofres do contribuinte caruaruense.
Artistas de grande apelo popular lideram as distorções orçamentárias apontadas na lista oficial do MPPE. O caso mais gritante é o do cantor Wesley Safadão, contratado pelo valor astronômico de R$ 1,5 milhões, valor que apresentou um “excesso irrazoável” de R$ 429.597,34 em relação ao teto calculado pelo órgão.
Mas ele não está sozinho. O cantor Pablo registrou um sobrepreço de R$ 222.848,00. Já a Banda À Vontade registrou um valor inflado em R$ 155.999,92.
Até mesmo atrações tradicionais do forró, que deveriam valorizar a cultura nordestina sem extorquir o erário, figuram na relação bem acima da média de mercado. Entre os citados estão Zé Vaqueiro, Fala Mansa, Solange Almeida e Limão com Mel.
A recomendação do MPPE, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (4), é taxativa: a Prefeitura de Caruaru deve se abster imediatamente de pagar qualquer valor acima do teto estipulado e está proibida de firmar novos contratos sem justificativas robustas e pesquisas de mercado fidedignas.
O prefeito Rodrigo Pinheiro tem o prazo estrito de cinco dias para apresentar uma resposta por escrito ao Ministério Público, detalhando as providências a serem adotadas para estancar a sangria do dinheiro público.
O OUTRO LADO
Como de costume, o Portal tentou contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Caruaru e da Fundação de Cultura, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações e pronunciamentos sobre o caso, que interessa e muito aos caruaruenses.












