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Home Brasil

Adeus ao hexa: erros da CBF e campanha frustrante ampliam jejum do Brasil

Por Thays Werllania
05/07/2026 - 20:13
Foram quatro técnicos e 96 jogadores convocados; Ancelotti chegou aos EUA sem um time formado

Foram quatro técnicos e 96 jogadores convocados; Ancelotti chegou aos EUA sem um time formado

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Do O Globo – A queda para a Noruega, neste domingo, nas oitavas de final da Copa do Mundo aumenta um jejum que já dura 24 anos. Desde o Mundial de 2002, o Brasil não consegue eliminar uma seleção da Europa na competição e desta vez não foi diferente. O revés encerra de forma melancólica um ciclo marcado por recordes negativos. Desde a derrota nos pênaltis para a Croácia, em dezembro de 2022, a seleção entrou numa espiral de decisões equivocadas, trocas sucessivas de treinador, vexames em campo e crises.

Os números refletem este período. Do interino Ramon Menezes ao atual Carlo Ancelotti, quatro treinadores estiveram no cargo. Com tantas trocas, o trabalho não seguiu um eixo. E muitos jogadores foram testados. Ao todo, foram 96 atletas convocados.

Alguns sequer foram a campo. E chama a atenção o fato de que, dos 26 chamados para o Mundial, seis estiveram em apenas três convocações ou menos, o que dá quase um terço da lista final. Foram eles: o zagueiro Léo Pereira, os volantes Fabinho e Danilo Santos e os atacantes Igor Thiago e Rayan, além de Neymar.

A ausência do camisa 10 na maior parte do ciclo é outro fator que de influência. A seleção passou mais de dois anos sem aquele que foi seu principal jogador em mais de dez anos. Muitas lesões e uma nítida perda de disposição para seguir a vida de provações de um atleta de alto nível separaram Neymar da Amarelinha até o anúncio de seu nome na convocação para a Copa. Quando voltou a jogar, no último jogo da fase de grupos, Neymar já não era mais o mesmo de antes deste longo hiato. Aos 34 anos, disputou seu provável último Mundial como uma sombra daquilo que um dia já foi.

Ainda que muitas, as convocações não foram suficientes para resolver carências crônicas apresentadas pela seleção: de laterais (apesar do impressionante número de 21 convocados no pós-2022), de meias armadores e de centroavantes. Buscas que Ancelotti terá que seguir fazendo neste novo ciclo.

A permanência do treinador, que já teve o contrato renovado até 2030, é o fio de esperança que fica para os próximos anos. Ainda que aos trancos e barrancos (o que é normal, dado o pouco tempo para preparar o time para a Copa) foi com o italiano que a seleção mais se aproximou de uma ideia de jogo bem estabelecida.

Foi sob seu comando, inclusive, que a seleção atingiu o melhor desempenho no ciclo. São 64,7% de aproveitamento em 17 partidas, percentual superior aos 58,3% na mesma quantidade de jogos com Dorival Junior e muito acima dos 38,9% com Fernando Diniz e 33,3% com Ramon Menezes.

O desempenho muito inferior com os dois primeiros treinadores do ciclo, que atuaram na condição de interinos, ajuda a entender o que foi o 2023 da seleção: perdido. O Brasil voltou a ter mais derrotas (cinco) do que vitórias (três) em um ano depois de seis décadas (não acontecia desde 1963). Nas Eliminatórias, perdeu três seguidas pela primeira vez na competição, sofreu uma derrota inédita para a Colômbia no torneio e também viu cair a invencibilidade histórica como mandante no 1 a 0 para a Argentina, no Maracanã.

Por trás desse caos, estava a lentidão do então presidente da CBF Ednaldo Rodrigues em decidir pelo substituto de Tite e, depois, pela decisão de esperar o fim do contrato de Ancelotti com o Real Madrid. Após meses de indefinição e com o treinador negando publicamente um acerto que era dado como certo nos bastidores da entidade, a ducha de água fria viria no fim de 2023 com o anúncio da renovação de seu contrato com o clube espanhol. Ali, a seleção voltou à estaca zero.

A política da CBF, aliás, não pode ser separada do desempenho da Amarelinha no ciclo. Cercado de inimigos entre os vices da entidade, Ednaldo se tornou um presidente desconfiado da própria sombra e centralizou as decisões. Notícias de escutas clandestinas e assédio moral se tornaram comuns na confederação. A seleção não conseguiu ser blindada desta crise.

Após muitas tentativas, os inimigos de Ednaldo conseguiram tirá-lo do poder pela via judicial em maio de 2025. Justamente depois que ele enfim tinha acertado a contratação de Ancelotti. A chegada do italiano ocorreu no dia seguinte à eleição e posse do novo presidente Samir Xaud.

E o começo da Copa ficou marcado por novos capítulos da briga nos bastidores. Sem nunca ter sido um cartola tradicional (o que inicialmente era visto como qualidade), Xaud já coleciona desgastes na cúpula da CBF. E, consequentemente, inimigos. Em meio à Copa, histórias de casos extraconjugais e uso de verba da entidade para fins pessoais começaram a ser vazados, numa mostra de como a política deve seguir como um elemento relevante neste novo ciclo. Ao menos, desta vez a seleção esteve mais blindada.

Se esta proteção se mantiver, a safra de jovens como Endrick, Estêvão e Rayan — conduzidos por um Vini Jr que finalmente se converteu numa liderança em campo — tem tudo para se converter numa seleção mais forte para o ciclo de 2030. O primeiro passo será dado em setembro, durante a próxima data Fifa. A seleção já tem acertados dois amistosos contra a Austrália.

Tags: destaque
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Thays Werllania

Thays Werllania

Profissional responsável pela edição e publicação de conteúdos no WordPress.

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