Por Ricardo Antunes – O dia em que duas pesquisas confirmaram a governadora Raquel Lyra (PSD) a frente nas intenções de voto deveria trazer calmaria. No entanto, o desembarque da Federação PRD/Solidariedade expôs negativamente a articulação política do Palácio das Princesas, e deixa a gestão ainda mais dependente da Federação União Progressista.
Na prática, com a ida do PRD/Solidariedade para o palanque de João Campos (PSB), o ex-prefeito do Recife passará a ter mais tempo de propaganda eleitoral e de inserções em rádio e televisão.
Com isso, a governadora precisará necessariamente ceder aos aliados, em especial a Eduardo da Fonte, que preside PP e a Federação União Progressista no Estado. Ele já foi escolhido como candidato ao Senado, embora a governadora prefira o ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil). Um paixão, digamos assim, repentina e inexplicável.
Mesmo liderando as pesquisas, a perda do PRD/Solidariedade demonstrou a arrogância e amadorismo do Palácio do Campo das Princesas.
Há dois meses os partidos haviam acertado uma aliança com o PSD, e desde então não tiveram um indicado nomeado no governo. Esperaram em vão e por nada.
Isso coloca a péssima imagem de que a governadora não cumpre os acordos feitos, o que é crucial para a classe política e sempre foi assim. O que também é muito desgastante.
Para responder à altura, a governadora teria que criar uma ruptura entre as siglas da base de João Campos, o que se demonstra difícil de acontecer. A liderança nas pesquisas cedo demais parece ter trazido a soberba de sempre dos Lyra, e um esquecimento de que o PSB não brinca em serviço.
Se não fizer uma costura direita com a Federação União Progressista, a governadora entrará desfalcada para a etapa final das eleições, que é a corrida pelo voto.
Já está fazendo feio nesta penúltima, que vai até as convenções. Resta ver se haverá criatividade e jogo de cintura para fazer política, porque o outro lado está fazendo.
Ouvi de um aliado que Raquel está brincado demais com o perigo e subestimando todo mundo ao pensar que a eleição já está definida, o que é um erro.
O jogo só termina com o veredito fatal das urnas. Ao tentar desmoralizar um aliado, Raquel pode ser a que vai ficar completamente desmoralizada, já que não teve força alguma em impor seu candidato de estimação.
É isso.








