Por Ricardo Antunes – A disputa apertada entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito João Campos (PSB) ficou em segundo plano nas últimas semanas, com o foco todo voltado para as articulações para o Senado Federal. E uma antiga lógica de que o candidato a governador puxa o postulante a senador parece se romper de vez este ano.
Já havia sido assim em 2022, quando Raquel se elegeu e a vencedora para a Casa Alta foi Teresa Leitão (PT), que estava no palanque de Danilo Cabral (PSB), quarto colocado na disputa pelo Executivo. O nome apoiado por Raquel, Guilherme Coelho (à época no PSDB), foi apenas o quinto colocado na briga pelo Senado.
Naquele ano, a corrida presidencial entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) pesou mais do que a questão estadual para o Senado. Agora, em 2026, o que se vê é João tentando nacionalizar a disputa pelo Governo e Raquel estadualizando-a. E a disputa pelo Legislativo ganha contornos mais municipais.
Tem sido assim com o que se poderia chamar de “invasão de bases”. O senador Humberto Costa (PT), que tenta a reeleição pela chapa de João, recebeu o apoio de mais de 30 prefeitos ligados ao ex-senador em exercício Fernando Dueire (PSD), que vota com Raquel. O deputado federal Mendonça Filho (PL), que disputa o Senado de maneira avulsa — ou seja, sem coligação para o Governo —, também tem recebido apoios do campo da governadora.
Por sua vez, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) pode costurar um acordo com o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (MDB), que anunciou, na semana passada, o rompimento com Marília Arraes (PDT). Adversário figadal da governadora, Álvaro apoia João Campos, mas pode levar sua base do Agreste para outro palanque e mudar os rumos da eleição.
Essa simbiose da política tende a romper lógicas tradicionais. Desde 1986, o único governador eleito que não conseguiu levar os dois senadores foi Miguel Arraes, em 1994. O ex-governador Carlos Wilson, que havia sido vice de Arraes, se aproveitou da relação que se mantinha viva na cabeça do povo e se elegeu pela coligação que apoiava Gustavo Krause, do PFL, saindo como o mais votado. Já o “Pai Arraia” elegeu Roberto Freire (PPS), mas não conseguiu levar consigo Armando Monteiro Filho (PDT).
Nesse intervalo de 40 anos, o próprio Arraes, em 1986, Jarbas, em 2002, Eduardo Campos, em 2010, e até o reprovado Paulo Câmara, em 2018, fizeram os dois senadores. Raquel será testada pela história para saber se consegue manter uma tradição, em um contexto político bem diferente daquele de seus antecessores.








