Por Carla Araújo, Letícia Casado e Tatiana Farah, do UOL – A campanha começa amanhã, e os dois candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), precisam superar desafios diferentes para conquistar o eleitorado em uma eleição que deve ser apertada.
Lula tem de diminuir sua rejeição, equalizar danos das investigações envolvendo seu filho Lulinha e aliados, como o assessor Marcola, e se prepara para um segundo turno com dificuldades para conquistar os votos dos adversários.
Flávio precisa convencer o eleitor moderado de que não é radical como pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que tem que fazer um aceno à militância bolsonarista raiz; precisa atrair o voto de mulheres e evangélicos; e convencer o eleitorado de que não tem ligação com o escândalo do banco Master.
Os desafios de Lula
Apesar de ter conseguido unir a esquerda em torno da sua candidatura já no primeiro turno, numa aliança inédita, o presidente Lula precisa apresentar um discurso que mantenha a militância engajada, que convença o eleitor que a idade avançada não é um empecilho e que o permita ampliar os votos entre o eleitorado da direita no segundo turno, quando haverá apenas dois candidatos.
Lula vai reforçar os embates com os Estados Unidos e bater no tema da soberania. A ideia é comparar a atuação dele como presidente e a de Flávio como senador.
O PT quer reforçar que Lula é um líder preparado e “com coragem” para enfrentar as adversidades do cenário internacional e expor eventuais fragilidades do adversário.
Além disso, a campanha petista quer buscar o apoio da juventude, que tem se aproximado mais da direita nos últimos anos.
Para Edinho Silva, presidente do PT, o eleitor brasileiro ainda não entrou no clima da eleição. O partido aposta que, ao mostrar as realizações do governo, Lula vai atrair os votos dos indecisos e diminuir sua rejeição.
“A sociedade vai começar a entrar no processo decisório nos últimos 40 dias, muitas vezes 30 dias, 20 dias, que é quando as pessoas começam a formar opinião. Nesse sentido, confio muito no governo Lula, que é o governo com maior volume de entregas da história”, disse ele em entrevista ao Canal UOL. “Acredito muito que no ambiente da campanha a sociedade vai reconhecer o que Lula fez.”
Os desafios de Flávio
O principal eixo da campanha de Flávio está baseado no fato de que ele é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Isso pode ser o suficiente para o eleitor bolsonarista raiz, mas carregar um sobrenome não define o voto do eleitor moderado ou indeciso.
Daí, o primeiro obstáculo para ele é se consolidar como alguém que tem as rédeas para governar. Ele não conseguiu convencer as lideranças do centrão, por exemplo, que não embarcaram em uma aliança.
A associação total com o pai tem um ponto frágil: o radicalismo de Jair Bolsonaro em relação, por exemplo, a vacinas e ao respeito às instituições.
A turbulência na relação entre os Poderes que marcou a gestão do ex-presidente é vista como negativa por parte da sociedade. O tarifaço dos Estados Unidos foi provocado em parte pelas ações de seu irmão Eduardo Bolsonaro e já caiu na conta de Flávio.
Reportagem da Folha também mostrou que ele não é o nome favorito da Faria Lima.
Flávio precisa atrair o voto das mulheres, que representam 53% do eleitorado. Ele ainda tem de tirar a pecha de machista dos Bolsonaro, incorporada nos homens da família desde a campanha de 2018 por causa de declarações do ex-presidente.
No fim de julho, o Datafolha indicou dificuldade persistente junto ao eleitorado feminino.
Seu principal cabo eleitoral, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), não vai ser uma presença forte em sua campanha. E ela seria peça importante para atrair outro grupo que levou o ex-presidente ao poder em 2018: os evangélicos. Flávio não herdou a proximidade com as lideranças evangélicas, que chegaram a criticar publicamente a escolha de seu vice.
Flávio vai ter ainda de superar a crise de imagem provocada pelo escândalo do financiamento do filme “Dark Horse” e sua relação com Daniel Vorcaro. O áudio em que ele pede dinheiro para o dono do Banco Master vai ser usado pelo PT durante a campanha e o partido vai bater na tecla de que ele é amigo do responsável pela maior fraude financeira da história do Brasil.










