Do UOL – O governo dos Estados Unidos avalia impor novamente sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo o jornal Financial Times. A possibilidade surge em meio à deterioração das relações diplomáticas entre Washington e Brasília.
O que aconteceu
As novas medidas estão em avaliação, diz o FT. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, o governo de Donald Trump voltou a discutir a aplicação de sanções contra Moraes, que já havia sido alvo de medidas americanas no ano passado.
Caso de quebra de sigilo de fonte jornalística reacendeu a discussão. Uma das razões para a retomada da pressão sobre o ministro seria a investigação que levou Moraes a autorizar buscas contra um ex-secretário do governo do Maranhão apontado como fonte de informações de um jornalista que publicou sobre o uso de carros oficiais pela família do ministro Flávio Dino.
Decisão de Moraes dividiu o Supremo. Moraes afirmou que as informações utilizadas na reportagem teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e poderiam colocar em risco a segurança do magistrado e de seus familiares. Gilmar Mendes apoiou o magistrado, enquanto Fachin defendeu o sigilo da fonte.
A eventual punição ainda não tem data para ocorrer. Uma das fontes afirmou ao Financial Times que a reimposição das sanções previstas na Lei Magnitsky está “sob consideração”, mas não está claro se o governo americano tomará a medida.
Washington considera que há um “histórico” contra Moraes. Uma fonte ouvida pelo jornal afirmou que existem “muitos fatores” e um “padrão consistente de abusos” que, na avaliação do governo americano, inclui o episódio mais recente envolvendo o jornalista.
As sanções poderiam atingir patrimônio e negócios. A aplicação da Lei Magnitsky pode congelar ativos mantidos nos Estados Unidos e proibir empresas e cidadãos americanos de realizar negócios com as pessoas ou entidades atingidas.
Moraes já havia sido sancionado pelos EUA. Em agosto de 2025, o governo Trump aplicou contra o ministro sanções previstas na Lei Magnitsky, acusando-o de promover uma campanha de censura, realizar detenções arbitrárias e conduzir processos politizados, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Medidas foram retiradas meses depois. As sanções contra Moraes, sua mulher e uma empresa ligada à família foram suspensas em dezembro, após uma reunião e conversas telefônicas entre Trump e o presidente Lula.
Relação entre EUA e Brasil se desgastou
A possível nova sanção amplia uma crise diplomática já existente. Os dois países atravessam um período de forte tensão, que envolve disputas comerciais e divergências políticas relacionadas às eleições brasileiras de outubro.
A crise comercial começou com uma tarifa de 50%. Trump impôs no ano passado uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou a medida à exigência de que Bolsonaro não fosse processado. A tarifa acabou sendo derrubada pela Suprema Corte dos EUA.
A trégua entre os dois governos durou pouco. Em julho, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, reabrindo uma frente de conflito comercial entre os países.
Brasília também adotou medidas que desagradaram Washington. No mês passado, o governo brasileiro barrou a entrada de dois enviados de Trump, sob o argumento de que havia risco de interferência nas eleições de outubro. O governo americano rejeitou a acusação.
Neste mês, o visto da embaixadora brasileira nos EUA foi revogado. Decisão foi uma retaliação devido à recusa do Brasil em conceder a aprovação diplomática formal ao embaixador Daniel Perez, indicado pelo governo Trump para atuar em Brasília.









