Do Poder 360 – O estilo de vida de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na Espanha está em um patamar ao qual poucos trabalhadores espanhóis conseguem chegar. Para bancar a moradia no condomínio de alto padrão em que vive, em Madri, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa ter uma renda anual de aproximadamente 208,8 mil euros –caso tenha sido submetido à regra usual do mercado imobiliário espanhol que limita o aluguel a ⅓ da renda do inquilino.
O valor equivale a uma renda mensal de 17.400 euros (cerca de R$ 104,5 mil no câmbio de 24 de agosto). O cálculo considera o custo estimado de 5.800 euros ( aproximadamente R$ 35.000) por mês com aluguel, condomínio, impostos, manutenção e outras despesas relacionadas ao imóvel onde Lulinha vive com a mulher e os 2 filhos, no condomínio El Jardín de La Moraleja, em La Moraleja, uma das áreas mais valorizadas da região metropolitana de Madri.
A exigência de renda equivalente a pelo menos 3 vezes o custo mensal do imóvel não é uma lei espanhola, mas é uma prática amplamente adotada no mercado de locação. Levantamento divulgado em 17 de agosto pela imobiliária donpiso, uma das maiores da Espanha, mostrou que 70% dos proprietários consultados exigem renda mínima equivalente a 3 vezes o valor do aluguel.
No caso de Lulinha, portanto, a conta é direta: 5.800 euros mensais multiplicados por 3 resultam em 17.400 euros. Em 12 meses, são 208,8 mil euros (cerca de R$ 1,25 milhão). O valor ajuda a dimensionar o nível econômico necessário para manter o estilo de vida que o filho de Lula leva atualmente em Madri.

Segundo levantamento publicado pelo jornal espanhol El País em 22 de agosto, só 0,8% dos trabalhadores assalariados da Espanha recebem mais de 100 mil euros por ano, ou pouco mais de R$ 600 mil. Lulinha, pelos critérios, ganha mais que o dobro disso.
O dado foi calculado com base nas informações mais recentes do INE (Instituto Nacional de Estatística da Espanha), equivalente ao IBGE brasileiro, referentes a 2024. O salário bruto mediano no país é de cerca de 24.500 euros por ano ou R$ 147,2 mil. Para estar entre os 10% mais bem pagos, é necessário receber 52.000 euros ou R$ 312,4 mil. Para chegar ao 1% mais bem remunerado, o trabalhador precisa superar 97.500 euros anuais ou R$ 587,7 mil. A renda necessária para a moradia de Lulinha é, portanto, mais que o dobro do limite para entrar no 1% dos trabalhadores espanhóis mais bem pagos.
CUSTO DE 5.800 EUROS POR MÊS
Lulinha vive em um apartamento de aproximadamente 250 m² no condomínio El Jardín de La Moraleja. O imóvel tem 3 quartos e fica em uma área cercada, com controle de entrada, piscinas, sauna, academia, salão de festas, espaço para reuniões, coworking e áreas verdes.
O aluguel básico de unidades semelhantes no condomínio gira em torno de 5.000 euros mensais. A esse valor são acrescentadas outras despesas. O Poder360 estimou, com auxílio de profissionais do mercado imobiliário do país, em aproximadamente 5.800 euros o custo mensal total da moradia, considerando aluguel, condomínio, IBI (Impuesto sobre Bienes Inmuebles), manutenção e contas básicas. Em Madri, o mercado é especialmente pressionado. O preço médio do metro quadrado para aluguel chegou a 23,70 euros (ou R$ 142,3) no 2º trimestre de 2026, alta de 7,6% em 12 meses, segundo o site espanhol Idealista.
DE ONDE VEM O DINHEIRO?
É justamente nesse ponto que permanece uma questão sem resposta. Lulinha criou em janeiro de 2026 a empresa Synapta, com atuação declarada na área de informática e endereço fiscal em um prédio de coworking em Madri. A defesa afirmou que a empresa é “considerada inativa perante a agência tributária espanhola”. Não foi possível identificar, até agora, uma fonte de renda na Espanha compatível com o custo de vida observado.
O Poder360 procurou Lulinha e seus advogados em diversas ocasiões para perguntar como ele se mantém na Espanha e quais são suas atividades profissionais. Na 5ª feira (20.ago), uma carta foi enviada ao condomínio oferecendo a ele a oportunidade de responder às perguntas antes da publicação. O porteiro, orientado por Lulinha, recusou-se a receber a correspondência e negou que o filho de Lula morasse no local. Até a publicação desta reportagem, Lulinha não explicou qual é sua fonte de renda na Espanha nem como custeia o imóvel.
A falta de explicação se dá em um momento em que Lulinha é investigado pela Polícia Federal em 3 inquéritos, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Ele não é réu em nenhum deles. Em dezembro de 2025, o Poder360 revelou que uma testemunha havia afirmado que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A defesa de Lulinha e ele próprio negam irregularidades.
Esse valor coloca o padrão de vida observado para Lulinha muito acima da realidade da maioria dos trabalhadores espanhóis –e até mesmo acima da renda necessária para integrar o 1% dos assalariados mais bem pagos do país.











