Do Globo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nesta quarta-feira sobre a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a “quebra completa” das investigações relacionadas ao caso do Banco Master. Em mensagem em uma rede social, o petista classificou o escândalo como o “maior crime financeiro da história do Brasil” e disse que a crise provocada pelo episódio exige medidas imediatas e mais transparência por parte do Poder Judiciário.
“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu Lula.
A manifestação ocorre no momento de maior tensão institucional desde que vieram a público novos desdobramentos da investigação sobre o Master. Na terça-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Nesta quarta-feira, contudo, o ministro Flávio Dino suspendeu a medida e determinou a volta do delegado ao comando da corporação, o que aumentou a tensão na Corte.
A crise ganhou força a partir da decisão de Mendonça, relator do caso Master, de retirar o sigilo de um relatório da PF que mostrava mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes. Dois dias depois, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado com base em outro relatório produzido pela Polícia Federal que apontava suspeitas de irregularidade do relator do caso Master na condução das investigações. Mendonça reagiu questionando a atuação da corporação e, posteriormente, afastou Andrei e o diretor de Inteligência da PF.
Na publicação desta quarta, Lula colocou no centro de sua crítica justamente a forma como informações das investigações têm sido tornadas públicas. Segundo o presidente, a divulgação seletiva do conteúdo das apurações interfere também no processo eleitoral. “Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, afirmou ele.
Lula já havia criticado o que tem chamado de “vazamentos seletivos” na semana passada, quando se manifestou pela primeira vez sobre as revelações envolvendo o Master e cobrou do STF e da Procuradoria-Geral da República uma resposta ao caso. Na ocasião, afirmou que não deveria haver “blindagem” de envolvidos. A diferença, agora, é que o presidente passou a defender expressamente a abertura integral das investigações.
“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu.
O presidente também citou como referência a Operação Spoofing, que investigou a invasão de celulares de autoridades e levou à apreensão de mensagens trocadas por integrantes da Lava-Jato. Quando era ministro do STF, Ricardo Lewandowski autorizou a defesa de Lula a acessar os arquivos que diziam respeito ao petista e, posteriormente, retirou o sigilo da reclamação em que havia determinado o compartilhamento desse material. As mensagens revelaram conversas entre procuradores da força-tarefa e o então juiz Sergio Moro.
Cautela ao atacar Mendonça
Um grupo de interlocutores defende que qualquer resposta fora do tom pode sugerir um alinhamento de Lula ao ministro Alexandre de Moraes, que é próximo de Andrei Rodrigues e adversário de Mendonça na Corte. Isso poderia ter reflexo eleitoral direto ao petista, uma vez que Moraes enfrenta suspeitas quanto sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Outra avaliação é que uma reação muito forte, com declarações e ataques, pode transformar Mendonça em vítima. Na terça-feira a Advocacia Geral da União (AGU) apresentou recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a suspensão do afastamento do diretor-geral da PF.










