Por Ricardo Antunes – A defesa de Marília Arraes (PDT) pela distribuição das chamadas “canetas emagrecedoras” pelo Sistema Único de Saúde (SUS) levanta questionamentos sobre se a candidata poderia estar defendendo uma medida que beneficia, ainda que indiretamente, um empreendimento ligado ao marido, gerando, pelo menos, um possível conflito ético.
O marido de Marília, o médico e biomédico André Cacau, é sócio do Centro Médico e Diagnóstico Guadalupe, em Olinda, clínica que atua com tratamentos para emagrecimento e onde são aplicadas as mesmas “canetas” cuja ampliação do acesso é defendida pela ex-deputada.
A clínica oferece serviços médicos, incluindo tratamentos voltados ao emagrecimento e à estética, e realiza a aplicação das chamadas “canetas emagrecedoras”. Os medicamentos utilizados nesses tratamentos podem custar, no Brasil, entre aproximadamente R$ 1.000 e R$ 2.000 por mês, dependendo do produto e da dosagem. A proximidade de Marília com o empreendimento também aparece nas redes sociais. No perfil oficial da clínica no Instagram, há uma foto da ex-deputada ao lado do marido nas instalações do Centro Médico e Diagnóstico Guadalupe.
É justamente essa ligação que torna a defesa de Marília politicamente sensível. De um lado, a candidata defende ampliar o acesso aos medicamentos usados no combate à obesidade e levanta a possibilidade de distribuição pelo SUS. Do outro, seu marido participa de um empreendimento privado que atua no mesmo segmento e oferece tratamentos com esses medicamentos.
O tema também apareceu diretamente no debate eleitoral. Marília, do nada, questionou Paulo Rubem (Rede): “Candidato, o que você pensa sobre a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS?”.
Paulo Rubem contestou tanto a expressão utilizada pela ex-deputada quanto a ideia de tratar o combate à obesidade a partir da distribuição desses medicamentos.
“Primeiro, essa expressão está errada, Marília. Não se usa a expressão canetas emagrecedoras. São instrumentos anti-obesidade. Segundo, a política de saúde é um conjunto. Eu preciso de nutricionista, endocrinologista, preciso de psicólogos, cirurgiões plásticos e também de uma rede integrada de saúde”, respondeu.
O candidato também relacionou o discurso sobre a distribuição das “canetas” aos interesses da indústria farmacêutica. “Falar em distribuição de canetas com esse termo errado é fazer o jogo da indústria farmacêutica”, afirmou.
O que Paulo Rubem e muita gente não sabia era que o marido da candidata atua em uma clínica que oferece tratamentos com esses medicamentos.
Veja o vídeo
A defesa de Marília Arraes (PDT) pela distribuição de “canetas emagrecedoras” pelo SUS gera questionamentos éticos, já que seu marido, André Cacau, é sócio de uma clínica que oferece tratamentos de emagrecimento com esses mesmos produtos. pic.twitter.com/rHCzDPBK5n
— Ricardo Antunes (@blogricaantunes) September 15, 2026









