Por André Beltrão — A governadora Raquel Lyra articulou pessoalmente a filiação do senador Fernando Dueire ao PSD, movimento que teve a benção do todo poderoso presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Com isso, a governadora fechou a sua chapa ao Senado, que terá, além de Dueire, o deputado federal Túlio Gadelha, outro que ingressou na sigla para disputar mandato na Casa Alta.
Ao levar Dueire para o PSD – ele tinha a opção de ir para o Podemos -, Raquel deixou claro que o herdeiro do mandato de Jarbas Vasconcelos tem seu aval para formar uma chapa com vistas à enfrentar o time da Frente Popular, que tem João Campos na cabeça, com Carlos Costa na vice, Marília Arraes e Humberto Costa completando o time.
Outra mensagem clara de Raquel com o movendo de filiar Dueire no seu próprio partido é o de que ela não colocará o ex-prefeito Miguel Coelho em sua chapa. Sem pena, Raquel rifou Miguel, que agora vê seu sonho de virar senador ir por água abaixo pois já havia sido rifado por João Campos.
Alvo de investigações da Polícia Federal na Operação Vassalos, que apura desvios milionários em emendas, o filho do ex-senador Fernando Bezerra Coelho virou um “leproso” político; nem João e nem Raquel o querem na chapa para não terem que a passar a eleição explicando o motivo de se abraçarem a um investigado da PF que pode ser preso em plena campanha. Esse fato, convenhamos, contaminaria o discurso de austeridade que a governadora quer usar na disputa contra o ex-gestor do Recife.

Outro fator que deve ter pesado na escolha de Raquel por Dueire foi a incapacidade do irmão de Miguel, Antônio Coelho, de desfazer o nó que ele próprio deu no votação da Lei Orçamentária Anual na Assembleia Legislativa. Quando ainda era oposição, Antônio, se achando mais esperto que todos, incluiu um substitutivo no projeto de lei durante a passagem da matéria na Comissão de Finanças, presidida por ele. Com a trava, Antônio tornou Raquel refém da Alepe. Agora, ela tem que pedir autorização ao parlamento para fazer qualquer remanejamento orçamentário para ações do governo.
Quando migraram para o lado raquelsita depois de receberem um não de João Campos, os Coelhos, para conseguir a vaga do Senado para Miguel e o comando de espaços importantes no Estado, como a financeiramente poderosa Secretaria de Desenvolvimento Econômico, prometeram entregar tudo à Raquel, inclusive a resolução do “problema” ba Alepe. O que não aconteceu até agora, deixando a governadora irritada e sem paciência.
Esse cenário somado ao avanço da chapa de oposição fez com que a governador batesse o martelo por Dueire, que, ao contrário, de Miguel tem angariado apoios em todas as cidades devido ao seu perfil municipalista.











