Por Ricardo Antunes – A filiação do deputado federal Túlio Gadelha, marcada para esta quinta-feira e antecipada ontem pelo nosso portal, trouxe uma definição que pouca gente notou: sepultou de vez o sonho do senador Fernando Dueire (MDB) de tentar a reeleição e garantiu a permanência da vice-governadora Priscila Krause (PSD) na chapa, no mesmo lugar em que já se encontra.
Fiel e leal desde o começo da gestão, Priscila goza de prestígio com Raquel Lyra (PSD), que até cogitou abrir a vaga de vice para uma composição política. As condições e mudanças do jogo político — e o fato de nem Silvio Costa Filho (Republicanos) nem Marília Arraes (PDT) terem vindo para o seu palanque — sacramentaram o nome de Priscila como vice, e ainda com um “presente”: com Raquel reeleita, Pernambuco terá mais uma mulher governadora, já que ela deve assumir o comando do Estado por pelo menos oito meses, além de se credenciar como possível candidata à sucessão.
Por sua vez, o senador Fernando Dueire ainda não tem definido o seu futuro, mas, na chapa majoritária, as portas se fecharam — se é que um dia estiveram abertas. “Senador de um voto só”, ele chegou até longe demais. Em dezembro de 2022, foi beneficiado com a doença do titular, Jarbas Vasconcelos, que se aposentou e deixou o “ex-macielista” e suplente acumulando mais de três anos como senador da República. Dueire até que tentou: fez um mandato-tampão operoso e chegou a espalhar que a governadora havia lhe garantido a vaga, mas, por óbvio, era mais um “discurso para inglês ver”.

Com Túlio dando o verniz necessário para que a chapa de Raquel garanta que o presidente Lula (PT) não venha ao Recife no primeiro turno, a última vaga ao Senado deve ficar mesmo entre as duas lideranças da federação. De um lado, Miguel Coelho, que, enxotado por João Campos (PSB), refez a rota e voltou — quase se humilhando — a falar bem de Raquel Lyra, de olho em seu projeto pessoal. De outro, o deputado Eduardo da Fonte (PP), que, a rigor, também nunca disse que estaria na chapa de João Campos, embora tenha conversado com o prefeito pelo menos duas vezes.
A seu favor, Dudu da Fonte tem o fato de ter entregado tudo de que a governadora precisou nesses três anos e meio de mandato: uma bancada fiel, que lhe deu sustentação política na Assembleia Legislativa, onde ela só encontrou hostilidade. Habilidoso, e “sem a pressa que aniquila o verso” (nunca disse que era candidato ao Senado), ele pode usar o mesmo argumento que Raquel utilizou durante nesse período e fazer a travessia de volta: “Todo mundo estava conversando com todo mundo”.
Como é o presidente da federação e mostrou que cumpriu o que foi combinado, Dudu da Fonte está mais perto da segunda vaga. Resta saber, nesse cenário, o que restaria para o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, além dos cargos que ele ganhou recentemente na administração estadual.
Façam suas apostas.












