Por Ricardo Antunes – Nas últimas 24 horas, o Jornal do Comércio viu seu nome ligado a uma polêmica com apoiadores do ex-prefeito do Recife e candidato ao governo, João Campos (PSB). Isso porque o colunista de política Igor Maciel foi citado em um grupo de WhatsApp do núcleo duro do PSB, onde áulicos sugeriam que o jornalista tivesse o sigilo bancário quebrado pelas críticas feitas ao líder socialista.
O episódio acabou motivando uma nota do Jornal do Commercio. Porém, o texto vem sendo criticado nas redes por ser longo, confuso e frouxo, já que não expõe as reais causas nem cita os envolvidos do ninho socialista. Ou seja, foi um editorial-resposta “para inglês ver”, como se diz, típico dos conteúdos redigidos pelo diretor de redação Laurindo Ferreira.
A postura vacilante lembra um antigo episódio que também aconteceu com o Jornal do Commercio. Aos gritos e com um revólver em punho, o então prefeito do Recife, Roberto Magalhães, invadiu a redação ameaçando matar o também colunista Orismar Rodrigues, falecido em 2007.
Com receio de denunciar o fato, o diretor de redação Ivanildo Sampaio se recusou a dar a notícia e terminou levando o furo do Diario de Pernambuco. Uma vergonha.

Leia abaixo o editorial:
“Em mais de um século de história, com papel importante no acompanhamento e na reconstrução da cidadania desde a redemocratização, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) é conhecido no País inteiro pela conduta ética de seus profissionais, pelo equilíbrio editorial, pela defesa da liberdade de expressão e pela correção no exame dos fatos, na análise dos cenários e na oferta de informações para a formação da opinião pela população. O bom jornalismo não tem um lado: trata-se de um prisma polido para o reflexo da luz em todas as direções.
Talvez seja essa característica esclarecedora multifacetada que incomoda os detratores da imprensa no Brasil, inclusive em Pernambuco. Não por acaso, jornalistas têm sido perseguidos, em várias partes do mundo, por regimes de exceção, nas ditaduras instaladas e nas democracias em que os conflitos polarizados suscitam o surgimento de radicalismos e intolerâncias que preferem, como de praxe, atacar o mensageiro pelo teor da mensagem transmitida. A democracia brasileira não é plena para todos, pois infelizmente ainda traduz o alto nível de desigualdade nacional – e nem os direitos básicos são distribuídos equitativamente. Mas por isso mesmo é preciso defender os princípios democráticos, como faz a imprensa brasileira, e como fazem o Jornal do Commercio e demais veículos do SJCC, diariamente.
Ameaças típicas de aspirantes ao autoritarismo não nos afastam de nosso foco, e não nos assustam. ?Não vamos transigir, como nunca o fizemos, nem agora nem nunca.
Tão pouco aceitaremos qualquer tipo de pressão, venha de onde vier. O jornalismo está acostumado à pressão dos fatos, da história que não se mede pela vontade individual ou de baixezas virtuais, praticadas na arena onde a covardia prospera em busca do aplauso de bajuladores e de adoradores do ódio.
No SJCC, ?colaboradores, colunistas, repórteres, comunicadores e demais profissionais estão alinhados com princípios democráticos, sob a guarida da liberdade de expressão que sustenta as democracias e estimula a consciência cidadã.
Somos muitos e nos irmanamos a cada voz que nos compõe – por isso, jamais conseguirão nos calar, enquanto vigorar o Estado de Direito neste país. O orgulho pernambucano que compõe nossa identidade declara, em todos os veículos do Sistema, que estamos e estaremos sempre em defesa do povo de nosso estado, do Nordeste, e do Brasil.
O jornalismo é a bandeira da liberdade crítica, da pluralidade das opiniões, da possibilidade da contradição. Não serão arroubos autoritários, explícitos ou encobertos, que nos farão recuar do exercício da liberdade em nome do interesse coletivo. E certamente não serão interesses menores, forjados na politicagem miúda do ressentimento afetado, que nos afastarão da solidariedade para com os nossos, sobretudo aqueles que, com destemor e transparência, sem abdicar do bom senso, exercem o jornalismo diário saudados pelo reconhecimento da população ao digno trabalho que realizam.”












