Da Redação do Blog — Quarenta e oito horas depois de recuar na nomeação que provocou forte desgaste político e repercussão nacional, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), voltou a negar qualquer favorecimento por sobrenome ou parentesco no concurso da Procuradoria-Geral do Município (PGM), realizado em 2022. Segundo ele, não houve “fura-fila” nem interferência política no processo.
Campos sustentou que a confusão teve origem em uma decisão administrativa da própria Procuradoria, que inicialmente aceitou um laudo médico apresentado após o concurso por um candidato diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Assim, Lucas Vieira Silva, 63º colocado na ampla concorrência, passou a figurar como primeiro nas vagas de Pessoas com Deficiência (PCD). Após recurso do candidato prejudicado, a decisão foi revista e a Prefeitura nomeou Marko Vinicio dos Santos Batista, deficiente físico e primeiro colocado original na lista de Pessoas com Deficiência (PCD).
Mesmo diante da “lambança” que levou o governo a um desgaste público, o prefeito descartou qualquer mudança no comando da PGM e negou a demissão do procurador-geral Pedro Pontes. “Não existe essa possibilidade”, afirmou, minimizando o impacto político do episódio.
Nos bastidores, porém, o caso ampliou o debate sobre a influência política dentro da Procuradoria. Pedro Pontes chegou ao cargo por indicação de Carlos Neves, advogado histórico do PSB, que atuou não só para o partido, mas também para figuras centrais da sigla, como o ex-prefeito Geraldo Júlio. Neves, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) segue influente: sua esposa, a publicitária Milu Megale, é atualmente secretária de Cultura da Prefeitura do Recife.
Apesar das críticas, João Campos disse estar “absolutamente tranquilo” e sustentou que o tema agora deve ser resolvido no Judiciário. Ele também minimizou o desgaste, afirmando que judicializações são comuns em concursos públicos.








