Blog do Ricardo Antunes
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Blog do Ricardo Antunes
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Home Opinião

Professor da USP diz que “Pobres morrerão nas portas dos hospitais” por causa de pandemia

Por Ricardo Antunes
23/03/2020 - 09:01
WhatsAppTweetarCompartilharEnviar por Email

Aos 73 anos, Miguel Srougi, um dos cirurgiões mais celebrados do país, critica a forma como o governo federal tem conduzido a crise do coronavírus. Para o professor da USP, nossa infraestrutura hospitalar sinaliza que os mais vulneráveis ficarão sem atendimento no pico da pandemia.

Eu sou urologista, não sou um infectologista, não posso fazer uma revisão científica profunda. Mas vemos os dados quantitativos e eles se pautaram por curvas que vão sendo construídas por autoridades médicas do mundo inteiro, que acompanharam a evolução da disseminação do coronavírus no mundo. Eles mostram que, quando um país passa de cem casos, a curva que vinha subindo de forma lenta de repente empina e, a cada dois ou três dias, dobra os números dos casos. E nessas horas isso desorganizou todos estes países do ponto de vista de recursos e de capacidade para atender os doentes. Aqui no Brasil a gente está assistindo a este processo como espectador, no mundo inteiro morrendo gente, todo mundo assustado, e o Brasil otimista.

Quais exemplos podem servir para o Brasil?

As autoridades não estão falando mais em número de mortos, de casos, mas em arrumar hospital, leitos. Temos exemplos emblemáticos. Estas medidas de fazer o chamado lockdown (proibir as pessoas de saírem às ruas) não impedem o vírus de se difundir, ela apenas achata a curva dos casos, ela continua lentamente, e isso permite que o sistema de saúde vá se readequando e dando apoio aos doentes. Mas estas medidas não curam a pandemia, que só vai ser resolvida quando descobrirem remédio ou vacina. O Brasil pôde assistir ao que ocorria na China e na Itália, e perdeu tempo de se preparar, por exemplo, transformando fábricas para fazer respiradores.

A política atrapalha o combate ao coronavírus?

O problema do Brasil está muito claro: existem no governo federal pessoas que estão flertando com as trevas. O presidente, de forma incompetente e imoral, menosprezou a gravidade da pandemia, julgou que com palavras poderia desviar a atenção popular e impedir uma constatação óbvia: a ruína da assistência médica no Brasil, principalmente a dos mais necessitados. Os grupos mais bem posicionados socialmente vão sobreviver, pois têm mecanismos de defesa mais fortes.

O Brasil já deveria estar todo em lockdown?

O lockdown representa medida extrema, que deve ser deve ser adotada o mais cedo possível, já que a demora implica em mais pessoas infectadas e mais mortes. Contudo, a decisão para sua implementação não é simples, nem todos aceitam a perda da liberdade. O que se observou na presente pandemia é que os países mais atingidos implementaram inicialmente o distanciamento social e recorreram ao lockdown quando a situação sanitária e social alcançou níveis críticos insustentáveis. Ao final, todos reconhecem a pertinência dessa ação.

E quanto a nossa infraestrutura hopitalar?

Há um estudo muito curioso: nos países com mais de 10 leitos hospitalares por mil habitantes, todos tiveram baixo índice de mortes no coronavírus, coisa de 0,2% a 0,3%. Nos países que têm menos de 4 ou 5 leitos para cada grupo de mil habitantes, todos estão tendo alta mortalidade. Hong Kong tem 14 leitos para cada mil habitantes, o Japão, tem 10 leitos para cada mil habitantes e nestes países não morreu quase ninguém. A Itália tem 3,2 leitos para cada grupo de mil habitantes e foi esse desastre. O Brasil tem 1,95 leitos para cada mil habitantes. Estes números mostram que na hora que chegarmos no pico, não vai ter hospital para colocar este pessoal, não há leitos.

Está correto criar leitos em estádios?

É a forma que se tem agora de rapidamente melhorar a assistência. Quem vai sofrer mais são os pobres, mais vulneráveis. Eles vão morrer nas portas dos hospitais, não vão conseguir entrar, muito menos receber um tubo para respirar e sobreviver à pneumonia. O pobre vai morrer na calçada.

O senhor prevê algum choque entre hospitais públicos e privados?

Os hospitais já estão reduzindo o número de cirurgias eletivas, o que não for urgente será adiado. Hospitais estão se preparando para receber pacientes. Em áreas específicas, este pessoal é muito competente e está fazendo isso direitinho. Mas como teremos aumentos de casos, isso pode afetar muito. Nos últimos dez anos foram fechados de 40 mil a 50 mil leitos no país do SUS, por falta de recursos. Um sistema combalido, degradado em um país que tanto necessita. Os governos que recorrem aos hospitais privados têm uma lógica, mas nenhum deles vai transformar suas estruturas, caras e complexas, em hospitais de campanha. Mas certamente eles terão que colaborar.

E no “day after”, qual será o legado do coronavírus?

Na área política vai surgir um consenso claro: só as empresas privadas não conseguem fazer um país progredir. É importante ter um Estado forte também. Estamos vendo isso agora. Estado forte consegue conter esta ameaça à nação e estados que não são fortes não conseguem . Aquela história de entregar tudo para as empresas privadas não dá certo. A grande consequência social é que as pessoas vão aprender que a solidariedade e a compaixão são muito importantes dentro de qualquer sociedade. A gente não pode mais ficar impassível quando um morro despenca e morrem pessoas simples, que não têm capacidade para sobreviver dignamente, que moram nestes locais por absoluta falta de opção. Acho que o coronavírus vai unir a sociedade e deixar as pessoas um pouco mais solidárias e dotadas de compaixão. Agora mesmo os fortes estão ameaçados, os pobres vão morrer mais, mas os ricos também vão morrer.

Fonte: O Globo
Tags: CoronavírusCovid-19Rio de Janeiro
EnviarTweet19Compartilhar212Enviar
Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

Matérias Relacionadas

João Gomes, a arte e a política: ninguém vira voto apontando o dedo

Por Simão Mairins - Há um fenômeno silencioso por trás do imenso barulho desta eleição: nenhum lado tem controle total sobre a própria narrativa. A campanha virou uma...

Charge ilustra o cabo de guerra na política

O Brasil pode não merecer Flávio. Mas o petismo merece

Por Fabiano Lana, do Estadão - A missão agoniante da esquerda brasileira nestas duas semanas que faltam para as eleições presidenciais é tentar virar votos. Chega de chamar todo...

Sobre o carro de bombeiro, os irmãos Campos, João, Eduarda e Pedro (Da esq. p/ dir.)

A soberba, a queda e as pedras que clamaram

Por Bruno Brennand - Há derrotas que começam muito antes da abertura das urnas. Começam no instante em que alguém deixa de acreditar na invencibilidade do adversário. Durante muito...

O candidato a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula não ganha mais eleitores no Nordeste

Por Vinicius Torres, da Folha de SP -  Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ganhou votos no Nordeste neste começo de segundo turno, a julgar pelos resultados...

Colunista e cientista político Fernando Schüler

Arquivamento de inquérito contra jornalistas revela lição sobre o período eleitoral brasileiro

Do Estadão - Criticar autoridades, instituições e o sistema eleitoral é parte da democracia. O arquivamento do inquérito contra os influenciadores Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ed...

Carregar Mais
Próximo Artigo

"Bolsonaro é líder mundial mais ineficaz na resposta a coronavírus " diz o presidente do Eurasia Group

Por favor, faça login para comentar

Camaragibe

Ipojuca

RELACIONADOS

Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, em Brasília. Foto: Wilton Junior/Estadão

Moraes determina monitoramento externo e vistoria de veículos na residência de Jair Bolsonaro

Análise: A volta da Lava-Jato à arena política

Mais de 1 milhão de brasileiros já foram infectados pelo coronavírus

Blog do Ricardo Antunes

Ricardo Antunes - Debates, polêmicas, notícias exclusivas, entrevistas, análises e vídeos exclusivos.

CATEGORIAS

  • Brasil
  • Ciências
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Esportes
  • Eventos
  • Internacional
  • Justiça
  • Opinião
  • Pernambuco
  • Política
  • Sport
  • Tecnologia

ASSUNTOS

Alexandre de Moraes Bolsonarismo Brasília Carnaval Coronavírus corrupção Covid-19 destaque Eleições Eleições 2020 Eleições 2022 Eleições 2026 Esporte EUA Fernando de Noronha Flávio Bolsonaro Futebol Internacional Investigação Jair Bolsonaro João Campos Justiça Lava Jato Lula Marília Arraes Olinda operação Paulo Câmara Pernambuco PL polícia cívil Polícia Federal PSB PSDB PT Raquel Lyra Ricardo Antunes Rio de Janeiro Saúde Senado Sergio Moro STF São Paulo União Brasil Violência

Termos de Uso, Privacidade e Cookies
© 2016–2026 — Ricardo Antunes — Todos os direitos reservados.
Site administrado por FACTO COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA — CNPJ 40.797.095/0001-30 — Contato: ricardo@ricardoantunes.net

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião

Termos de Uso, Privacidade e Cookies
© 2016–2026 — Ricardo Antunes — Todos os direitos reservados.
Site administrado por FACTO COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA — CNPJ 40.797.095/0001-30 — Contato: ricardo@ricardoantunes.net

Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade.