Por Luiz Roberto Marinho – O presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, anunciou que a diretoria pedirá à SAF (Sociedade Anônima de Futebol) explicações sobre o envolvimento, descoberto pela Polícia Federal, de um dos seus principais investidores, Fernando Alves Vieira, nas falcatruas do Banco Master, liquidado pelo Banco Central.
Como divulgou o blog, a PF levantou que por ter parentesco com familiares dos sócios do banco liquidado, o empresário, que aderiu à SAF em maio do ano passado, tinha procuração da Clínica Mais Médicos, empresa que seria “laranja” das operações financeiras fraudulentas do Master.
A PF identificou que Valdenice Pantaleão, presidente da clínica, foi beneficiária de auxílio emergencial em 2020 e 2021 e não possui patrimônio compatível com o cargo, reforçando a tese de que agia como fachada para ocultar as operações ilegais do Master utilizando Fernando Alves Vieira.
Sócio de 57 outras empresas, o empresário ingressou na SAF como presidente da ESB Corp, que comercializa planos de saúde, além de atuar nos segmentos de tecnologia, soluções financeiras e gestão de marcas. Usou a marca ONMED como investidora da Cobra Coral Participações, dona da SAF.
O presidente do Santa Cruz ressaltou que o contrato com a Cobra Coral Participações tem cláusulas de compliance (práticas, políticas e controles que garantem que uma empresa atue em conformidade com leis, regulamentos e padrões éticos). Lembrou haver outros investidores na SAF e alertou para a necessidade de cautela “com qualquer tipo de condenação precipitada”.

Confira a entrevista de Bruno Rodrigues ao blog.
Como o envolvimento do investidor da SAF Fernando Alves Vieira nas falcatruas do Banco Master, descoberto pela Polícia Federal, afeta a credibilidade da SAF?
BR – Em primeiro lugar, é importante registrar que não temos, nesse momento, elementos para confirmar qualquer tipo de alegação. O sr. Fernando prestará os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, e, ao mesmo tempo em que permanecemos confiantes com o atual grupo de investidores, estamos tomando as medidas cabíveis para que as explicações necessárias sejam apresentadas ao clube.
O contrato possui amarras e impedimentos, inclusive relacionados a questões de compliance e anticorrupção, que protegem a Associação de tais situações – caso venham a ser comprovadas. Resumindo, estamos atentos às notícias e investigações, e cobraremos do grupo de investidores (que, lembre-se, não é formado apenas pelo sr. Fernando) os esclarecimentos devidos.
A diretoria pretende saber da SAF se Fernando Alves Vieira continuará como investidor da Cobra Coral Participações?
BR – Precisamos ter cautela com qualquer tipo de condenação precipitada. O que podemos afirmar é que o clube tem tomado, de forma muito diligente, todas as medidas necessárias para, nos termos do contrato e da lei, garantir a segurança jurídica da operação. Além disso, como dito, a Cobra Coral Participações possui como investidores um conjunto de pessoas, sendo o sr. Fernando uma delas.
O fato de um dos principais investidores da SAF estar envolvido em desvios do Banco Master não pode representar um risco ao cumprimento do acordo da SAF de investimentos no Santa Cruz?
BR – Até onde sabemos, não há comprovações ou condenações no Judiciário que nos permitam confirmar essas alegações. Registramos para a nossa imensa torcida que o clube está tomando as medidas cabíveis, dentro dos termos e condições previstos no contrato, para assegurar o cumprimento do acordo. No mais, precisamos lembrar que todo o processo de venda da UPI (da SAF) passará ainda pelo crivo tanto dos credores quanto do Juízo da Recuperação Judicial.
• Nota: A UPI (Unidade Produtiva Isolada) no contexto da SAF é um mecanismo jurídico e financeiro que permite a um clube de futebol em grave crise financeira (recuperação judicial ou falência) separar seu departamento de futebol e vendê-lo a um investidor, livre de dívidas.











