- Conselho com três integrantes vai governar o país enquanto processo da escolha do sucessor de Ali Khamenei é montado
- Cúpula militar da teocracia, que tenta se mostrar viva com retaliação, foi dizimada em uma reunião presencial em Teerã

Um dia após a morte do líder supremo do Irã e de boa parte da cúpula militar do país em um ataque realizado pelos Estados Unidos e Israel, a teocracia busca demonstrar que está viva, dando os primeiros passos para a sucessão de Ali Khamenei.
Segundo a mídia estatal, o presidente Masoud Pezeshkian reapareceu neste domingo (1º) —ele havia sido um dos alvos do ataque do sábado (28). Em comunicado, ele afirmou que o ataque foi “uma declaração de guerra contra os muçulmanos”, e a vingança, “um direito legítimo e um dever”.

A composição do chamado Conselho de Liderança Interina também foi confirmada. O órgão ocupará as funções de Khamenei até a escolha de um sucessor, o que ocorrerá quando for reunida a Assembleia dos Peritos, com 88 membros.
Além de Pezeshkian, integram o conselho o aiatolá Alireza Arafi, um dos 12 membros do central Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei. Não há um prazo estimado para o processo de escolha, que é opaco.
O Irã tenta se sustentar e mostrar força com a campanha de retaliação ampliada neste domingo, algo que precisa enfrentar o teste de um conflito mais prolongado e mais pressão por parte dos EUA e de Israel. Além do conselho interino, a poderosa Guarda Revolucionária, cujo comandante foi morto no sábado, tem um novo chefe: o general Ahmed Vahidi.
Vahidi tem um mandado de prisão emitido pela Interpol por suspeita de organizar o maior atentado da história da América do Sul, a explosão de uma entidade judaica em Buenos Aires que matou 85 pessoas em 1994.
A mídia estatal iraniana confirmou neste domingo que a cúpula militar do país foi morta durante uma reunião presencial para avaliar o ataque dos EUA e de Israel contra o país, em Teerã.
Morreram no bombardeio o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, o poderoso conselheiro de Defesa Ali Shamkhani, o ministrro Aziz Nasirzadeh e o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, além de outros oficiais. Israel afirma que cerca de 40 militares e cientistas nucleares foram mortos no ataque.

Na frente doméstica, Teerã tenta mostrar unidade, apesar de o regime ter acabado de reprimir violentamente os mais importantes protestos contra a teocracia islâmica, instalada em 1979.
Foram divulgadas imagens de moradores da capital e de outras cidades nas ruas lamentando o que agora chamam de mártir Khamenei, uma cena que foi vista em locais como a Índia, Iraque e no Paquistão, onde um confronto deixou nove mortes numa procissão.
O Irã decretou luto oficial de 40 dias e mesquitas passaram a envergar a bandeira vermelha, símbolo do xiismo para a vingança devido ao derramamento de sangue. O país persa é o centro deste ramo minoritário do Islã, que no Oriente Médio é muito forte também no Iraque.











