Por Ricardo Antunes — Em meio às finalizações das alianças nacionais, a costura entre PL e Republicanos cai como bomba em Pernambuco. Isso porque o discurso de palanque bolsonarista adotado pelo ex-prefeito João Campos (PSB) contra a governadora Raquel Lyra (PSD) sofreria um abalo. Afinal, o candidato a vice do PSB, Carlos Costa, é filiado justamente ao Republicanos.
Embora Carlos seja irmão do ex-ministro de Lula (PT) e deputado federal Sílvio Costa Filho (Republicanos), que sempre defendeu o presidente, a legenda é que prejudica, pois estaria coligada nacionalmente com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Todavia, os estados estariam liberados às suas conjunturas locais.
A costura entre PL e Republicanos foi divulgada ontem pelo Globo, após uma reunião entre as cúpulas das siglas, incluindo os respectivos presidentes nacionais, Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira. O Republicanos busca o apoio dos liberias em estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima e Acre. Em contra partida, a sigla apoiaria a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.
A costura respeitaria as circunstâncias locais, a princípio. Porém, o Republicanos é um partido de centro-direita, que tem seus simpatizantes ao bolsonarismo. Isso, por si só, comprometeria o “discurso purista” de João de jogar a pecha exclusivamente ao palanque de Raquel, apoiada por outros integrantes da direita, como a deputada Clarissa Tércio (PP) e o ex-ministro Gilson Machado (Podemos).
Tanto Sílvio Costa Filho quanto o irmão Carlos Costa são filhos do ex-deputado Sílvio Costa, que foi vice-líder da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment, em 2016. Conhecido por ser “mais petista que os petistas filiados”, Silvão virou uma das principais vozes contra a direita em Pernambuco – mesmo se dizendo uma pessoa de centro. Mas a legenda e suas contradições locais podem desencadear uma nova crise em um momento em que João Campos já enfrenta baixas sérias nas pesquisas de intenção de voto.








