Por André Beltrão – O “modus operandi” atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de mandar “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, lembra o método usado pelo empresário Rodrigo Tavares contra o jornalista investigativo Ricardo Antunes, editor deste blog, atacado covardemente em uma emboscada no dia 13 de novembro de 2024, no Recife.
O caso foi manchete em todo o Brasil pela forma violenta da agressão e ainda pelo mesmo objetivo: calar a imprensa que denuncia as falcatruas dos “poderosos de plantão”.
No caso envolvendo Vorcaro, a investigação apontou a contratação de um sicário, identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que teria sido encarregado de intimidar e agredir o jornalista. A lógica — a utilização de terceiros para atacar um profissional da imprensa por causa de reportagens — guarda semelhanças com o episódio ocorrido em Pernambuco.
No Recife, as investigações apontaram que Pedro Henrique da Costa Oliveira, foi o “sicário” contratado por Rodrigo Tavares para realizar o atentado contra Ricardo Antunes. Armado com um soco inglês, o agressor aguardou o jornalista sair da barbearia Trois, no bairro de Boa Viagem, e o surpreendeu com golpes no rosto.
Ricardo, que quase ficou cego do olho esquerdo, sofreu afundamento facial e levou 33 pontos em cirurgia de duas horas no Hospital Português para colocação de pinos e plaquetas.

O atentado se deveu a reportagens no seu blog de denúncias de irregularidades numa das clínicas da LP Saúde, localizada no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.
Em conversas de WhatsApp às quais a polícia teve acesso, Rodrigo Tavares Ramos fez uma piada ao enviar uma foto do rosto do jornalista deformado após o ataque. “Vê que beijinho”, escreveu. No diálogo, insinua que, numa “próxima vez”, algo ainda pior poderia ocorrer com Ricardo Antunes. “Foi só um beijinho. Na próxima…”, digitou, sem completar a frase.
O caso provocou forte reação de entidades de defesa da liberdade de imprensa. Organizações como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope) divulgaram notas públicas condenando o ataque e cobrando a identificação e punição dos responsáveis.
Apesar dos indícios reunidos pela investigação em Pernambuco, Rodrigo Tavares segue em liberdade. Não é demais lembrar que durante as investigações ele e seu comparsa foram intimados a comparecer por pelo menos três vezes na delegacia de Boa Viagem e não deram as caras. O MPPE negou por duas vezes o pedido de prisão da “turma”.
Já no caso envolvendo Vorcaro, uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão do banqueiro e de outros investigados, mesmo após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que, como o MPPE local, negou a prisão dos envolvidos.












