Por Ricardo Antunes – A Polícia Civil de Pernambuco indiciou Carlos Avelar, Paulo Rabelo, Sílvio Rui e Danilo Feodrippe por participação em um esquema criminoso envolvendo a venda, adulteração e ocultação de uma embarcação de luxo da INPA Indústria Naval da Paraíba, pertencente a José Pinteiro, legítimo dono do bem. O empresário Marcos Menezes também aparece como peça-chave e segue sob investigação.
Os investigados foram indiciados pela suposta prática dos crimes previstos no art. 155, § 4º, inciso II, do Código Penal (furto qualificado); art. 297 do Código Penal (falsificação de documento público); art. 304 do Código Penal (uso de documento falso); art. 311, § 2º, inciso III, do Código Penal (adulteração de sinal identificador de veículo/embarcação); e art. 288 do Código Penal (associação criminosa), além de outros delitos que podem ser apurados no curso das investigações.
Segundo o relatório, Carlos Avelar, dono da Azov, é apontado como o principal articulador do esquema, responsável por negociar a venda da embarcação sem autorização e conduzir sua circulação fraudulenta, inclusive determinando sua retirada e ocultação. Diretor comercial da Azov, Paulo Rabelo teria atuado como intermediador, usando sua credibilidade no mercado náutico para viabilizar a negociação irregular e aproximar os envolvidos.
Operador ligado a Avelar, o marinheiro Sílvio Rui foi responsável pela execução prática. Ele foi flagrado conduzindo a embarcação e tentou fugir da polícia durante a apreensão.

Sócio de Avelar, o empresário Marcos Menezes (dono do Grupo Total) é citado como figura estratégica na origem do esquema, com ligação direta com Avelar e indícios de participação em outras fraudes semelhantes. Marcos Menezes e Carlos Avelar também foram indiciados pela Polícia Civil da Paraíba, em 2025, pela suposta prática do crime previsto no art. 155 do Código Penal, em investigação relacionada ao furto de uma embarcação de 55 pés, de propriedade da INPA.
O suposto comprador da embarcação, Danilo Feodrippe, também foi indiciado por associação criminosa e está na mira das autoridades. Ele teria utilizado documento falso para tentar regularizar o bem, mesmo diante de indícios de irregularidade.
A embarcação, modelo Ecomariner 380, foi vendida sem autorização da INPA e passou a circular com documentação fraudada. Entre as irregularidades, está uma carta de desalienação com assinatura falsa, usada para tentar dar aparência legal à negociação.
Para despistar, o nome da embarcação foi alterado diversas vezes — de “WORK” para “BALADA” e, posteriormente, houve a falsificação da identificação de Ecomariner para “AZOV” —, além da retirada do GPS, numa tentativa de dificultar o rastreamento. O bem acabou interceptado no Rio Tatuoca, em Ipojuca, após tentativa de fuga. O condutor admitiu agir a mando de Carlos Avelar.
O blog já havia revelado, em 2024, disputas judiciais envolvendo o mesmo grupo e denúncias de vendas irregulares da embarcação de José Pinteiro, desde 2019. Segundo um advogado do empresário, os sócios da Azov teriam se aproveitado do fato de Pinteiro ter sido preso na Operação Mar Aberto para praticar o crime.
Veja os documentos
Carlos Avelar e Marcos Menezes já foram também indiciados por furto de outra lancha em 2025 pela polícia da Paraíba. Veja:













