Da Folha de SP – O presidente do PT de São Paulo, deputado federal Kiko Celeguim, defende o nome do presidente nacional do PSD, ex-prefeito Gilberto Kassab, para a vice da chapa do presidente Lula (PT) no lugar de Geraldo Alckmin (PSB), que, por sua vez, disputaria o Senado.
Um dia depois de o coordenador-geral da campanha de Lula e presidente nacional do PT, Edinho Silva, sinalizar com a manutenção de Alckmin na vice –ao reconhecer que MDB e PSD não integrarão a aliança pela reeleição do presidente–, Celeguim afirmou que “o PSD é o partido-chave para ganhar a eleição”.
Questionado sobre como seria essa configuração, o presidente do PT de São Paulo sugeriu que se ofereça a Kassab a vaga de vice de Lula. Ele também propõe o PSD, ou outro partido de centro, para compor a chapa para o Governo de São Paulo encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

“Para ganhar a eleição, precisamos de Kassab e Geraldo [Alckmin] nas posições corretas”, disse Celeguim à Folha neste domingo (30), ao comentar as declarações de Edinho. “Kassab na vice de Lula e Geraldo em São Paulo”, acrescentou.
Celeguim –que coordenará a campanha de Haddad ao Palácio Bandeirantes– sugere que Alckmin disputaria o Senado ao lado da ministra Simone Tebet (PSB). Também nessa composição, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), poderia substituir Alckmin no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, como Lula indicou a aliados.
Kassab tem reafirmado, publicamente, apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o lançamento de candidatura própria à Presidência da República. Na quarta-feira (25), ele deixou a Secretaria de Governo de São Paulo na expectativa de um convite para a vice na chapa de Tarcísio à reeleição.

Em conversas, Tarcísio tem descartado essa hipótese e criticado abertamente o ex-articulador político. Uma ala do PT vê nesse desgaste uma oportunidade de aproximação com o PSD, hoje maior rival do PL no cenário nacional. No sábado, o presidente nacional do PT admitiu que, apesar dos esforços para consumar alianças com partidos de centro, elas se darão apenas nos estados.
“Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos, temos que respeitar as contradições”, diz Edinho, em alusão às diferenças internas das legendas.
Aliados de Lula empreenderam esforços para contar, ao menos, com o MDB na coligação. O próprio presidente chegou a se reunir com dirigentes do partido, acenando com a possibilidade de ocuparem a vice na chapa. Mas sem sucesso até agora.
O presidente do PT afirma, porém, que em muitos estados essas alianças acontecerão. “São muitas lideranças desses partidos que sabem o que está em jogo nessas eleições, que a escolha será de futuro, qual o legado que deixaremos para as futuras gerações. O Brasil da família Bolsonaro já sabemos ao que leva”, afirma.
Sem novos aliados ao centro, Edinho se dedica à consolidação de alianças com tradicionais parceiros, como o PDT. Mas hoje esbarra em desafios dentro do próprio PT. É o caso do Rio Grande do Sul, onde uma ala petista resiste ao acordo firmado nacionalmente com aval de Lula.
O PDT declarou apoio a Lula. Em retribuição, espera contar com a aliança em favor da candidatura da ex-deputada Juliana Brizola ao Governo do Rio Grande do Sul. O PT gaúcho, porém, defende o lançamento de candidato próprio ao cargo.












