Do Poder 360 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne seus ministros nesta 3ª feira (31.mar.2026) para sua última reunião ministerial com o atual desenho da Esplanada. Participam também alguns dos substitutos que devem seguir até o final do ano.
Ao todo, 20 integrantes deixarão os cargos para atividades relacionadas ao pleito de outubro. É um recorde que supera o do próprio Lula: no 1º mandato, em 2006, 14 ministros saíram para concorrer. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) teve 8 saídas.
O prazo de desincompatibilização termina no sábado (4.abr). A estratégia do Planalto é substituir os ministros de saída por seus secretários-executivos: perfis mais técnicos e com menor custo político. O modelo já foi aplicado na Fazenda, onde Dario Durigan assumiu o lugar de Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de SP.
A reunião terá caráter de despedida e também de alinhamento político. Nela, Lula deve deixar claro o que espera dos ministros nos próximos meses e orientá-los a adotar, no debate público, pautas que considera prioritárias, como o fim da escala 6 x 1.
Ministros do núcleo mais político como Rui Costa (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Comunicação) devem ter espaço para falar.
QUEM SAI
A maior parte dos ministros que deixam o governo mira o Senado. Das 20 saídas previstas, mais da metade tem a Casa Alta como destino.
A prioridade se explica pelas atribuições exclusivas do Senado. Uma delas é a competência do presidente do Senado para autorizar a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
Das 20 saídas previstas, parte já tem substitutos encaminhados. A maioria deles são os números 2 das pastas:

Na Comunicação Social, Sidônio Palmeira está incluído na conta dos 20, mas segue um calendário diferente. Ele só deve deixar o ministério em junho para coordenar a campanha de reeleição de Lula. Até lá, nenhum substituto está cotado.
QUEM FICA
Já 13 ministros devem permanecer até o fim do governo, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores), José Múcio (Defesa), Alexandre Padilha (Saúde) e Wellington César Lima e Silva (Justiça).

Luiz Marinho (PT) chegou a ser cotado para deixar o ministério, mas deve permanecer no cargo. O motivo é a reforma da escala 6 X 1, uma das principais bandeiras de Lula para o período eleitoral, que ainda está em tramitação no Congresso.
Nem todas as cadeiras têm destino certo. Há pelo menos 7 ministérios sem substituto encaminhado, como Igualdade Racial (Anielle Franco), Esportes (André Fufuca) e Integração Regional (Waldez Góes).
A maior incógnita, porém, é a sucessão na SRI (Secretaria de Relações Institucionais). É uma das pastas mais estratégicas. A ideia inicial era nomear Olavo Noleto, atual presidente do Conselhão e um dos secretários mais próximos de Gleisi Hoffmann (PT). Lula reavaliou a escolha. O presidente foi aconselhado a escolher um congressista com trânsito na Câmara para conduzir as negociações durante o período eleitoral.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), foi sondado para o cargo, mas recusou. Outro nome no radar para a SRI é o de Wellington Dias (Desenvolvimento Social), que já decidiu permanecer no governo, atuando na campanha de Lula. A decisão, contudo, ainda cabe ao presidente.
Ainda há incerteza sobre Minas e Energia. Alexandre Silveira (PSD) sinalizou interesse em disputar o Senado por Minas Gerais, mas condicionou qualquer decisão ao aval de Lula. O petista começou a querer que ele dê continuidade na Esplanada e que seja um ativo do Centro nas eleições nacionais e em Minas. Caso saia, a tendência é que o secretário-executivo Gustavo Cerqueira Ataide assuma a pasta.












