Por Samuel Lima, de O Globo – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria sido pego de surpresa pelos diálogos expostos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e questionou a “gestão de crise” da campanha, afirmaram fontes próximas consultadas pelo GLOBO.
A situação gerou quebra de confiança por dois motivos. Segundo os relatos, Tarcísio não teria sido informado previamente que Flávio atuou pelo financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e acreditava que o deputado federal Mário Frias (PL) era quem tratava exclusivamente do assunto. A outra revelação foi o envolvimento de Vorcaro.
Procurado, ele não retornou aos pedidos de entrevista. Tarcísio se recusou a comentar o tema imediatamente depois de o caso ser revelado, após ter sido questionado pelo GLOBO durante agenda em São Paulo, mas declarou, no dia seguinte, que Flávio “precisa continuar dando todos os esclarecimentos, à medida que as perguntas forem aparecendo”.
Tarcísio ainda teria criticado, nos bastidores, a ausência de preparo para responder sobre o caso. Flávio demonstrou constrangimento público e deu versões contraditórias desde quarta-feira (13), quando as conversas extraídas do celular do empresário, em posse da Polícia Federal, foram publicadas pelo site Intercept.
Em uma coletiva de imprensa, o senador e presidenciável disse que a notícia era “mentira”, acusou o jornalista do Intercept de ser “militante”, deu risada em frente às câmeras e depois deixou rapidamente o espaço, enquanto repetia o termo “dinheiro privado”. Horas depois, admitiu a negociação com Vorcaro e alegou contrato confidencial de patrocínio com as empresas do banqueiro.
A ausência de explicações prévias têm contornos políticos porque, até o ano passado, Tarcísio era cotado para concorrer contra Lula (PT) nas eleições presidenciais, plano que tinha simpatia de partidos de centro. Bolsonaro, contudo, optou pela candidatura do filho “01”, que conseguiu consolidar a posição através das pesquisas.
O entorno do governador tem dúvidas sobre a capacidade de Flávio bater o petista, candidato à reeleição. Uma publicação recente do publicitário João Santana foi citada nas conversas.
Conforme esse diagnóstico, a eleição presidencial deste ano testa dois mantras opostos entre cientistas políticos. O primeiro, de que ideologias políticas então cristalizadas, trazendo indiferença sobre a relação de Flávio e Vorcaro, e o segundo, de que esse fato e os “gastos eleitoreiros” podem impulsionar a aprovação de Lula, mudando esse panorama.
*Colaborou Pedro Pupulim, da CBN










