Do UOL – O STJ (Superior Tribunal de Justiça) aceitou o pedido de habeas corpus de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP. A informação foi confirmada ao UOL pelos advogados do cantor.
O cantor deve ser solto ainda hoje, segundo a defesa. O UOL buscou o STJ para ter acesso à decisão e confirmar as informações dos advogados, e aguarda retorno.
MC Ryan foi preso em investigação sobre uma suposta organização criminosa acusada de movimentar R$ 1,6 bilhão em esquemas de lavagem de dinheiro. A operação é Narco Fluxo, da Polícia Federal, conforme noticiou o colunista do UOL Fabio Serapião.
“O escritório Cassimiro & Galhardo Advogados informa que, em razão de Habeas Corpus impetrado pela defesa, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão liminar reconhecendo a ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo, determinando as providências necessárias ao imediato restabelecimento da liberdade.”
Defesa de MC Ryan SP
O UOL buscou a Polícia Federal, que administra a superintendência onde o MC está preso, para saber se o órgão já foi notificado sobre o habeas corpus. O texto será atualizado se houver posicionamento.
Líder e beneficiário do esquema
MC Ryan é apontado pela PF como líder e beneficiário econômico do esquema. Segundo a apuração, Ryan usava empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
Para blindar seu patrimônio, o MC transferiu a participação em empresas para familiares e operadores financeiros. Para lavar dinheiro obtido de forma ilegal, ele comprava imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor, segundo a PF.
Ao todo, foram cumpridos 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. O MC Poze foi preso em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro e o MC Ryan SP foi detido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.
PF diz ter apreendido R$ 20 milhões em veículos
Operação bloqueou quantia bilionária e apreendeu veículos de luxo. A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 1,6 bilhão. Além disso, aproximadamente R$ 20 milhões foram apreendidos “só em veículos”, afirmou o delegado Marcelo Maceiras. Ao todo, foram cumpridos 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões, em oito estados e no Distrito Federal.
“PF segue o caminho do dinheiro”, diz delegado. Maceiras deu a declaração ao explicar que o trabalho começou ainda em 2023, com a apreensão de um veleiro com drogas.
Investigação continua após prisões e o objetivo é encontrar o “contador” do esquema. “A gente chegou nesse ponto, mas as investigações ainda vão prosseguir”, afirmou o delegado. Segundo ele, ainda há lacunas sobre a movimentação e a destinação final do dinheiro.
Dinheiro do tráfico leva a facções, diz polícia. O delegado disse que, ao rastrear recursos do tráfico de drogas, a investigação inevitavelmente chega a organizações criminosas. Ele evitou citar grupos específicos, mas afirmou que “parte do dinheiro” tem origem no tráfico.
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Qual era o papel de cada um na organização, segundo a PF
Influenciadores ajudavam a lavar dinheiro. Segundo o delegado Marcelo Maceiras, pessoas com grande visibilidade nas redes eram recrutadas para divulgar plataformas ilegais e movimentar recursos. “Eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações”, afirmou em entrevista.
Além de MC Ryan e Poze, outros nomes foram apontados pela PF. De acordo com o delegado, o alto volume de transações feito por essas figuras públicas dificulta a detecção. “Essas pessoas conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção”, disse.
Tiago de Oliveira é apontado como braço direito do MC, fazendo a gestão financeira do material ilícito. Ele seria o responsável por centralizar o dinheiro recebido e fazer a distribuição dele para outros operadores financeiros do grupo.
Os outros dois envolvidos no esquema mais próximos do MC seriam Alexandre Paula de Sousa Santos e Rodrigo de Paula Morgado. Alexandre seria o responsável pela intermediação entre o MC e as plataformas de apostas e Rodrigo seria o “contador” do grupo, fazendo as transferências bancárias.
Raphael, dono da Choquei, faria a contenção de imagem e a divulgação positiva de Ryan. A PF disse que ele teria recebido valores diretamente do MC, do braço direito dele e do operador financeiro do grupo, para fazer publicações positivas sobre o cantor e sobre as rifas.
Assim como MC Poze, o influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, também apareceu como vinculado às empresas. O influencer já tinha sido preso por envolvimento com rifas ilegais, mas foi solto em 19 de março.
O influenciador Henrique Viana (Rato Love Funk), dono da produtora Rato Love, é suspeito de fazer operações financeiras sem lastro. Esse seria mais um indício da lavagem de dinheiro cometida pelo grupo.
Defesa de Diogo305 afirmou que ele não tem qualquer relação com os alvos da operação. “Seu contato com influenciadores digitais limita-se a interações pela internet e à participação eventual em eventos”, afirmou o advogado Felipe Cassimiro em nota enviada ao UOL.
O UOL tenta localizar a defesa dos outros citados nas investigações. O espaço fica aberto para manifestações e será atualizado em caso de respostas.









