Por Ricardo Antunes – O processo de transformação do Santa Cruz em SAF voltou a levantar questionamentos. Mais uma vez, a proposta é cercada por dúvidas, informações divergentes e pontos ainda sem esclarecimento público. O cenário lembra episódios recentes do futebol brasileiro marcados por anúncios bilionários que não se confirmaram na prática.
Entre os exemplos mais lembrados está a chamada “SAF dos Mineiros”, divulgada à época como um projeto de R$ 1 Bilhão, mas que deixou como legado um passivo de dezenas de milhões de reais, noves fora a humilhação da torcida que foi as ruas fazer festa para o que era apenas um engodo e nada mais.
No caso do Santa Cruz, parte dos números apresentados também vem sendo contestada. A Koli Capital, apontada como um dos pilares financeiros da operação, atua como escritório de assessoria de investimentos, segmento que reúne milhares de empresas semelhantes no país. Segundo informações de mercado, a empresa possui cerca de R$ 580 milhões sob gestão, valor distante dos mais de R$ 1,5 bilhão mencionados durante a apresentação do projeto.

Para efeito de comparação, a pernambucana Pequod Investimentos, fundada em 2019, possui mais de R$ 4 bilhões sob assessoria. Outro ponto que desperta questionamentos envolve Elias Weber, frequentemente citado como um dos principais nomes por trás da operação, mas que não aparece em registros societários recentes da empresa.
Dívida próxima de R$ 300 milhões
Antes de qualquer mudança para o modelo empresarial, o Santa Cruz enfrenta uma realidade financeira severa. O clube está em Recuperação Judicial e possui um passivo estimado em mais de R$ 290 milhões.
A dívida é composta principalmente por ações trabalhistas, débitos tributários e obrigações com fornecedores. Embora a Recuperação Judicial ofereça proteção contra bloqueios e execuções imediatas, ela não elimina as obrigações financeiras.
Por isso, qualquer SAF precisa apresentar um plano sólido para lidar com um passivo que se aproxima dos R$ 300 milhões.
O que está em jogo
Além das dúvidas sobre a capacidade financeira dos envolvidos, o mercado acompanha com atenção a estrutura societária da operação e a origem dos recursos prometidos.
O Santa Cruz precisa de investimentos para recuperar sua capacidade operacional e esportiva. No entanto, diante do histórico recente do futebol brasileiro e da situação financeira do clube, credores, torcedores e analistas seguem cobrando transparência e garantias concretas antes da conclusão do negócio.
No fim, mais importante do que anúncios grandiosos será a capacidade de transformar promessas em resultados efetivos para o futuro do Arruda.














