Por Vinícius Sales – O plano de governo apresentado pelo ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) para a disputa pelo Governo de Pernambuco resgata programas e marcas dos governos socialistas de Miguel Arraes e Eduardo Campos, ao mesmo tempo em que estabelece um contraponto à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), ainda que sem citá-la nominalmente em boa parte do documento.
Com cerca de 30 páginas, o texto aposta na recuperação de políticas consideradas emblemáticas do PSB, como o Pacto pela Vida, o Mãe Coruja, o Programa Atitude, o Ganhe o Mundo e o Chapéu de Palha, além de defender um novo ciclo de desenvolvimento para Pernambuco baseado em inovação, regionalização dos serviços públicos e maior integração com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Até a publicação desta matéria, a governadora Raquel Lyra ainda não publicou seu plano de governo no TSE.
Logo na apresentação, João Campos afirma que Pernambuco precisa firmar “o pacto da transformação” e recuperar o protagonismo perdido nos últimos anos. O documento também destaca que pretende preservar programas que apresentem resultados positivos, independentemente de quem os tenha criado, e promete uma gestão baseada em critérios técnicos, sem perseguições políticas a servidores públicos.
Ao longo do texto, o candidato faz referências constantes aos governos de Miguel Arraes e, principalmente, de Eduardo Campos, apresentando a candidatura como continuidade da trajetória da Frente Popular em Pernambuco.
Segundo o documento, os governos socialistas teriam consolidado um modelo de desenvolvimento capaz de combinar crescimento econômico, investimentos em infraestrutura, educação, saúde, segurança pública e inclusão social. Agora, a proposta é iniciar um novo ciclo adaptado aos desafios da inteligência artificial, da transição energética e das mudanças no mercado de trabalho.
A estratégia aparece também na recuperação de programas criados durante administrações do PSB.
Na área de segurança pública, por exemplo, João Campos promete retomar o modelo de gestão por metas inspirado no Pacto pela Vida, criado durante o governo Eduardo Campos. O plano prevê ainda a criação do Pacto Anti-Facção, ampliação do videomonitoramento, fortalecimento da inteligência policial e atuação integrada com o governo federal e estados vizinhos no combate ao crime organizado.
Na assistência social, o documento propõe fortalecer o Programa Atitude, voltado ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade associada ao uso de drogas, afirmando que a iniciativa sofreu redução de recursos e perdeu alcance nos últimos anos. Também prevê ampliar o Chapéu de Palha, com aumento do benefício e expansão da qualificação profissional.
Já na educação, o plano promete retomar o programa de intercâmbio Ganhe o Mundo, ampliar o ensino médio em tempo integral, expandir o Embarque Digital para o interior do estado e fortalecer a interiorização da Universidade de Pernambuco (UPE).
Na saúde, uma das prioridades é ampliar o programa Mãe Coruja, criar o Mãe Coruja Atípica para atendimento a famílias de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento e expandir a regionalização da assistência por meio da construção de novos hospitais e fortalecimento das Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs).
Embora evite mencionar diretamente Raquel Lyra em grande parte do documento, o plano estabelece um contraste com a atual gestão ao apontar a necessidade de recuperar programas, concluir obras e reorganizar áreas consideradas estratégicas.
Na educação, por exemplo, João Campos afirma que irá concluir creches “que a atual gestão não entregou”. Na segurança, sustenta que Pernambuco precisa retomar o comando da política de segurança pública e recuperar o modelo que, segundo o texto, fez o estado reduzir os índices de violência. Já na assistência social, afirma que programas históricos do PSB perderam estrutura e alcance.
O documento também afirma que Pernambuco precisa voltar a liderar o Nordeste e defende maior alinhamento institucional com o governo Lula como estratégia para ampliar investimentos federais e impulsionar o desenvolvimento estadual.
Entre as medidas com maior potencial de repercussão estão a criação da isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas utilizadas por trabalhadores, mudanças na cobrança da tarifa de água em áreas submetidas ao rodízio de abastecimento, ampliação dos programas de transferência de renda, construção de novos hospitais no interior e uso de inteligência artificial para gestão das filas do Sistema Único de Saúde (SUS).











