Da Redação – A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e o candidato Ivan Moraes (PSOL) divergiram nesta sexta-feira (11) sobre as políticas de combate à pobreza e geração de empregos no estado. O confronto ocorreu durante debate promovido pela Rádio Cidade 99.7 FM, em Caruaru.
Ao direcionar uma pergunta a Moraes, Raquel citou programas sociais implementados durante sua gestão e questionou o adversário sobre as propostas dele para reduzir a pobreza em Pernambuco.
A governadora destacou o Mães de Pernambuco, programa que, segundo ela, atende 100 mil mulheres chefes de família com crianças de até seis anos, com o pagamento de R$ 300 mensais. Raquel também mencionou a implantação de mais de 300 cozinhas comunitárias.
Na resposta, Moraes reconheceu a importância de políticas de transferência de renda, mas argumentou que Pernambuco ainda enfrenta índices elevados de pobreza e fome. O candidato defendeu uma mudança no modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo estado. “Eu estou defendendo um desenvolvimento que vem de baixo para cima”, afirmou.
Segundo Moraes, recursos públicos, financiamento e assistência técnica devem priorizar pequenos produtores e trabalhadores, em vez da concessão de incentivos e benefícios fiscais a grandes empresas. O candidato também defendeu o fortalecimento de cooperativas e associações.
Moraes citou ainda os trabalhadores do campo e catadores de materiais recicláveis como exemplos de grupos que poderiam ser beneficiados por uma política econômica voltada à geração de renda a partir das comunidades.
O candidato do PSOL também defendeu a adoção de uma renda básica como instrumento de combate à pobreza. Segundo ele, a política deveria começar pelas pessoas em situação de maior vulnerabilidade e avançar em direção a um modelo mais abrangente.
Raquel destaca programas sociais e empregos formais
Na réplica, Raquel afirmou que seu governo colocou como prioridade alcançar pessoas que, segundo ela, eram “invisíveis” para o poder público. A governadora argumentou que políticas sociais precisam estar previstas no Orçamento para efetivamente chegar à população. “Para isso, sai discurso e entra no Orçamento”, afirmou.
Raquel voltou a destacar o Mães de Pernambuco e afirmou que o programa representa investimento de aproximadamente R$ 350 milhões por ano. A candidata também mencionou as cozinhas comunitárias e as parcerias estabelecidas com prefeituras para ampliar o fornecimento de refeições.
A governadora argumentou, porém, que a principal política social é a geração de emprego. Segundo Raquel, Pernambuco avançou na criação de vagas com carteira assinada durante sua administração. “O maior programa social de todos é o emprego”, afirmou.
Raquel disse ainda que o estado registra mais trabalhadores com carteira assinada e sustentou que a geração de empregos nos últimos três anos superou o resultado acumulado em anos anteriores.
Ivan critica precarização do trabalho
Na tréplica, Moraes contestou o diagnóstico apresentado pela governadora e afirmou que o desemprego continua sendo um problema em Pernambuco. Ele também questionou a qualidade das ocupações utilizadas nas estatísticas do mercado de trabalho.
O candidato citou como exemplo trabalhadores que passam longas jornadas fazendo entregas por bicicleta e que, ao final do mês, não conseguem alcançar sequer um salário mínimo. Para Moraes, situações desse tipo não podem ser apresentadas como solução para o problema do emprego.
“Eu não vou criar no meu governo qualquer emprego”, afirmou. Moraes defendeu um modelo que permita aos pernambucanos produzir e gerar renda de maneira autônoma, com apoio do poder público a cooperativas, associações e novos negócios.
Segundo o candidato, o estado deve atuar na geração de tecnologia e na criação de estrutura para estimular empreendimentos em setores como turismo, cultura, economia digital e agricultura.











