Por Simão Mairins – Há um fenômeno silencioso por trás do imenso barulho desta eleição: nenhum lado tem controle total sobre a própria narrativa. A campanha virou uma guerra com múltiplos campos de batalha. Muitos deles, independentes e descoordenados. Cada um fazendo o que acha certo para alcançar seu objetivo.
É nesse sentido que tô vendo de um lado e de outro movimentos insanos com cobrança aos artistas por posicionamento. Estão cobrando os sertanejos, os sambistas, as estrelas pop, os baianos do axé, todo mundo.
Aqui no Nordeste, João Gomes virou o principal alvo, pelo tamanho que tem. Eu não sou ingênuo. Tenho total clareza de que a arte não é neutra. E de que, no front da comunicação e influência, o poder das estrelas do show business é um instrumento de desequilíbrio fortíssimo.
Mas tenho muita clareza também de que a arte é política na própria essência de ser.
João Gomes é um elo que nos une pelo que temos de melhor.
Desde que explodiu, trabalha dia e noite para construir uma imagem positiva do Nordeste, levou nossa cultura para o mundo, criou conexões com artistas de outras regiões, apoiou artistas iniciantes. João Gomes colocou o vaqueiro do sertão no palco do Rock in Rio e fez o paulistano dos Jardins descobrir onde fica Serrita.
João Gomes faz política em cada passo que dá. E a gente precisa entender que fazer política é essencialmente isso. Exercer a cidadania é um ato contínuo, não acaba (e muitas vezes nem mesmo começa) no voto, em uma eleição.
Você aí, de um lado e de outro, provavelmente vai votar em quem acha que tem menos defeitos, levando em consideração o que é importante para você e para seu próximo.
Quando passar a eleição, mantenha a energia para cobrar os eleitos, mobilizar seus vizinhos. Com a humildade e a disciplina do sermão que a mãe lhe deu.
E deixe os artistas fazerem arte e escolherem livremente como querem agir.
Não é apontando o dedo na cara de ninguém que você vai virar voto.
Não sei se no diálogo vai.
Mas é o único caminho em que pode haver alguma chance.









