Por Vinícius Sales – A derrota de João Campos (PSB) para a governadora Raquel Lyra (PSD) nas eleições estaduais de 2026 deve provocar mudanças na composição política do PSB em Pernambuco. Nos bastidores, lideranças socialistas já admitem a possibilidade de saída de aliados para a base governista e defendem uma reorganização interna do partido, de olho nas eleições municipais de 2028.
Em reserva, uma liderança do PSB reconheceu que o resultado das urnas enfraqueceu a capacidade de articulação da legenda e abriu espaço para que Raquel amplie sua base política, atraindo integrantes que estiveram ao lado de João Campos na disputa pelo governo estadual.
“Alguns companheiros vão sair, os companheiros vão ficar, os companheiros vão chegar. É um processo natural de reestruturação”, afirmou a liderança, ao avaliar o cenário político após as eleições.
Segundo a fonte, um dos principais desafios será administrar a insatisfação de aliados que não conseguiram se eleger. Sem o comando do governo estadual, o PSB terá menos condições de acomodar integrantes do grupo político, o que pode acelerar o afastamento de algumas lideranças.
A avaliação é de que Raquel, fortalecida pela reeleição, terá uma estrutura política maior para atrair esses aliados. A fonte também reconhece que o partido precisará fazer uma autocrítica sobre o resultado eleitoral e reorganizar suas forças antes de voltar a disputar o governo de Pernambuco.
Reorganização para 2028
Apesar das dificuldades, a liderança socialista acredita que o cenário poderá mudar a partir das eleições municipais de 2028, quando o PSB terá pela frente disputas importantes em cidades consideradas estratégicas para a legenda, como Recife e São Lourenço da Mata.
A preocupação é que o partido terá de enfrentar essas eleições em uma posição diferente daquela dos últimos anos, sem contar com o controle do governo estadual e diante de uma governadora politicamente fortalecida.
A fonte também defendeu que o PSB evite uma oposição precipitada ao novo mandato de Raquel Lyra. Na avaliação apresentada à reportagem, a governadora deve ter espaço para administrar o estado, enquanto os socialistas trabalham na reconstrução de sua base política.
“Ela ganhou democraticamente, tem que fazer o que tem que fazer o governo dela”, afirmou.
Para a liderança, a recuperação do PSB dependerá de uma reorganização interna, da manutenção de aliados e da capacidade de atrair novos quadros políticos. O objetivo será chegar às eleições de 2028 em condições de preservar suas principais administrações municipais e reconstruir o caminho para voltar a disputar o governo estadual.











