Por Vinícius Sales – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltaram a trocar acusações sobre patrimônio e transparência financeira durante o debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23). Lula desafiou o adversário a abrir suas contas bancárias, enquanto Flávio respondeu cobrando a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência da República.
Durante o confronto, Lula propôs que ambos apresentassem seus documentos financeiros à Justiça para esclarecer a origem de seus patrimônios. “Eu faço outro desafio agora. Eu faço eu e você amanhã. Vamos lá, eu e você, abrir as contas minha e sua”, afirmou o presidente.
Lula também questionou a evolução patrimonial de Flávio e cobrou explicações sobre a aquisição de um imóvel avaliado em R$ 10 milhões. “Eu quero que você explique como é que, se eu ganho R$ 46 mil igual a você, você consegue comprar uma casa de 10 milhões de reais”, questionou.
Em resposta, Flávio afirmou que seus rendimentos são provenientes de suas atividades profissionais e que os bens estão declarados à Receita Federal. “Vem do trabalho porque sou advogado, eu sou empresário. Há 24 anos eu sou deputado e senador”, declarou.
O candidato do PL também retomou acusações contra Lula relacionadas aos casos do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá. Flávio afirmou que o presidente ocultaria patrimônio em nome de terceiros e mencionou condenações judiciais anteriores do petista.
As condenações de Lula nos processos da Lava Jato, entretanto, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, após a Corte reconhecer a incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar os casos.
Na sequência, Flávio mudou o foco da discussão e cobrou a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência, além de criticar o governo pela imposição de sigilo sobre informações públicas. “Agora, por que você não abre o sigilo do cartão corporativo? Pessoal, hashtag na internet aqui: Lula, abre o cartão”, afirmou.
O senador também acusou Lula de descumprir promessas feitas durante a campanha eleitoral, citando o sigilo de informações, as indicações ao Supremo Tribunal Federal e o custo dos alimentos. “Você prometeu picanha e entregou abóbora. Lula, você não entrega nada do que você promete”, disparou.
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