Do UOL – A diferença para uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial deve vir de um voto de protesto contra o governo Lula, avalia José Roberto de Toledo no A Hora, do Canal UOL.
Ao comentar recortes do Datafolha sobre o grau de convicção do eleitor, o jornalista disse que a parcela que declara voto em Flávio para “derrotar Lula” ajuda a explicar a força do ex-presidente entre eleitores menos identificados com o candidato.
“O que eu extraio, eu pessoalmente extraio desse número é que o Flávio vai ganhar muito, se ganhar, vai ganhar por seus méritos, mas a diferença da vitória vai ser um voto de protesto contra o governo Lula.”, afirma José Roberto.
Para Toledo, esse padrão aparece quando se compara o voto “convicto” com o voto motivado por rejeição ao adversário. Na leitura dele, a margem decisiva tende a ser “mais um voto anti-Lula do que um voto a favor do Flávio”.
“Para mim só diz uma coisa: o voto no Flávio é mais um voto anti-Lula do que um voto a favor do Flávio. Pelo menos o que vai fazer a diferença caso ele seja eleito.”
O colunista também ponderou que, na véspera, o retrato das pesquisas ainda carrega incertezas. Ele citou a margem de erro e o intervalo de confiança como limites do método, além do peso do comparecimento no dia da votação.
“Isso torna possível ainda um cenário de virada do Lula de última hora que surpreenda todo mundo, mesmo que isso contrarie todas as pesquisas e contrarie o próprio Datafolha. Mas eu não quero descartar essa hipótese, passar uma ideia falsa de que já ganhou. Eu acho que só amanhã a gente vai saber, que não tem como saber.”
Na análise, fatores como clima e dificuldades logísticas podem mexer com quem efetivamente vai às urnas. Toledo também lembrou que situações imprevistas podem interferir na votação, ao citar episódios de 2022 envolvendo fiscalização de ônibus.
“É uma aposta, uma aposta bem fundamentada, estatisticamente fundamentada, mas é uma aposta que nós vamos só ver amanhã se ela é uma aposta correta ou não.”
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