Por Vinícius Sales – O deputado federal André Janones (Rede-MG) comentou, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (1º), a medida protetiva concedida pela Justiça à sua ex-companheira e a investigação sobre a prática de “rachadinha” em seu gabinete. O parlamentar negou ter sido condenado e tentou diferenciar o uso do cartão de crédito de um assessor da devolução de parte dos salários de funcionários.
Questionado sobre a medida protetiva concedida à prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes (Avante), após acusações de violência psicológica, Janones afirmou que o processo tramita em segredo de Justiça. “Eu, como advogado, aprendi que decisão judicial você não discute, você cumpre. Eu só posso falar duas coisas: primeiro, que eu não fui condenado a nada e que a verdade prevalecerá”, declarou.
O deputado também fez questão de corrigir a repórter ao ser questionado sobre a ex-esposa. “Eu não tenho ex-esposa simplesmente porque eu nunca fui casado”, afirmou. Ao ser perguntado sobre qual seria a relação entre os dois, respondeu: “Uma namorada”.
Segundo o Metrópoles, Leandra conseguiu uma medida protetiva após acusar Janones de ameaçar divulgar imagens íntimas. A Justiça de Minas Gerais determinou que o deputado mantivesse distância mínima de 300 metros da ex-companheira e não divulgasse fotografias ou vídeos íntimos dela. Janones nega as acusações.
Na mesma entrevista, o parlamentar foi confrontado sobre a investigação de “rachadinha”, referente ao uso do cartão de crédito de um assessor para pagar despesas pessoais entre 2019 e 2020.
“A única coisa que encontraram é que eu tinha utilizado o cartão de crédito de um assessor e não tinha pago”, afirmou. Segundo Janones, o funcionário havia solicitado um cartão adicional em nome do deputado. “Nunca teve tentativa de esconder”, acrescentou.
Em março de 2025, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou um acordo de não persecução penal firmado entre Janones e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo prevê o pagamento de R$ 131,5 mil como reparação de danos, além de multa de R$ 26,3 mil, totalizando R$ 157,8 mil.
Ao ser questionado se o acordo representava o reconhecimento de uma irregularidade, Janones respondeu: “Eu estou assumindo o erro de ter utilizado o cartão. Isso não configura a prática de rachadinha, de assessores receberem salário e devolverem o dinheiro”.
Apesar da explicação do parlamentar, o próprio STF informou, ao divulgar a homologação do acordo, que Janones admitiu a prática de “rachadinha” em seu gabinete. O acordo permite evitar o processo criminal mediante o cumprimento das condições estabelecidas, mas não equivale a uma absolvição judicial.
Janones também comentou a projeção internacional conquistada após sua atuação na campanha de reeleição do presidente Lula. A estratégia digital liderada pelo deputado, por meio do chamado “Exército do Lula”, ganhou repercussão na imprensa de vários países após a virada eleitoral do petista. O canal chegou até mais de 10 milhões de usuários
O parlamentar citou entrevistas concedidas ao jornal francês Le Monde e ao britânico The Guardian, além de convites recebidos de países como Alemanha, França, Itália, Espanha, Colômbia e México.
“A repercussão internacional é a única coisa que não estava no meu radar”, afirmou Janones. Apesar da projeção, o deputado descartou assumir um ministério no novo governo Lula.
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