Do G1 – Um empresário conhecido como “Rei da Sucata”, apontado pela Polícia Civil do Rio como um dos principais operadores de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, foi preso no sábado (7), em São Paulo.
Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara estava foragido desde maio, quando foi alvo de uma operação que investigou a estrutura financeira da facção criminosa. Ele é conhecido como “Rei da Sucata” por sua atuação no setor de comércio, reciclagem e fundição de metais e sucatas, especialmente cobre.
Segundo a Polícia Civil, Rodrigo foi localizado em um shopping de alto padrão da capital paulista, enquanto fazia compras em uma joalheria de luxo. Após a prisão, ele foi levado ao Palácio da Polícia de São Paulo.
A captura foi realizada por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), em conjunto com o Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (GSI/MPMG) e o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
O empresário é investigado por supostamente utilizar empresas do ramo de reciclagem e comércio de metais para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
A apuração aponta uma ligação financeira com Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho e chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
A prisão é um desdobramento da Operação Contenção, deflagrada em 29 de maio de 2026. A investigação da DRE identificou uma estrutura interestadual de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 453 milhões.
De acordo com a polícia, o esquema envolvia empresas de reciclagem, comércio de sucatas e metais, depósitos fracionados em dinheiro, contas bancárias utilizadas para passagem de recursos e transferências entre pessoas físicas e jurídicas sem relação econômica aparentemente compatível.
Rodrigo não foi encontrado durante a operação e passou a ser considerado foragido. Ele também constava na lista de procurados da Interpol, segundo a Polícia Civil.
As equipes de investigação monitoraram os deslocamentos do empresário e identificaram que ele havia retornado ao Brasil no início de outubro. A partir daí, os agentes acompanharam seus passos até localizá-lo em São Paulo.
Empresa teria transferido mais de R$ 4,6 milhões a operador de Rabicó
Um dos principais elementos da investigação é a atuação da empresa Indústria e Comércio de Metais Pequi Ltda., do setor de fundição de metais não ferrosos.
Segundo a Polícia Civil, Rodrigo seria o administrador de fato da empresa, embora ela estivesse formalmente vinculada ao pai dele, Carlos Roberto de Alcântara, preso em maio.
A investigação aponta que o pai figurava oficialmente como administrador, enquanto Rodrigo seria responsável pela gestão efetiva do negócio.
A análise de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transferências da empresa para Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como Tek, apontado pelos investigadores como principal operador financeiro e testa de ferro de Rabicó.
Entre abril de 2023 e maio de 2024, foram identificadas 27 transferências que somaram R$ 3,7 milhões. Em um segundo período, entre maio e setembro de 2024, outros R$ 898,8 mil teriam sido repassados.
Ao todo, os valores identificados nas operações entre a Metais Pequi e Tek chegam a aproximadamente R$ 4,6 milhões.
A polícia também identificou movimentações financeiras da empresa com outros negócios do mesmo circuito empresarial, entre eles Ebráfios, Jornal Corporativo e L E Reciclagem. Os repasses para contas vinculadas a duas dessas empresas chegaram a aproximadamente R$ 1,6 milhão.
Para os investigadores, as transações indicam a circulação de recursos por uma rede de empresas do setor de sucatas, reciclagem e metais.
Empresário já foi alvo de investigação em Minas
Rodrigo também já havia sido investigado em outro esquema envolvendo o comércio de metais e sucatas.
Em 2021, ele foi preso durante a Operação Sinergia, conduzida em Minas Gerais. A investigação apurou suspeitas de fraudes no comércio de cobre, com utilização de empresas de fachada e emissão de notas fiscais fraudulentas para dar aparência de legalidade a operações comerciais.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, o esquema envolvia operações simuladas e empresas fictícias em diferentes estados. Em fases posteriores da investigação, os prejuízos tributários apurados chegaram a centenas de milhões de reais.
Documentos analisados pela Polícia Civil do Rio também indicam que Rodrigo teria declarado, durante aquela investigação, que administrava a empresa Metais Pequi.
Investigação no DF apontou rede de 31 empresas
O empresário também foi citado em uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal sobre um esquema de fraudes fiscais envolvendo o comércio de metais.
Rodrigo foi apontado como uma figura central de uma estrutura que teria utilizado 31 empresas para emitir notas fiscais e simular operações comerciais.
Segundo a polícia, algumas dessas empresas estariam registradas em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível com as movimentações financeiras, incluindo beneficiários de programas sociais.
Uma das empresas investigadas teria emitido R$ 63 milhões em notas fiscais em apenas 48 horas.
A apuração também identificou o possível uso de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) para dar aparência de regularidade às operações financeiras.









