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Home Economia

Inflação alcança a maior taxa para o mês desde 2016, aponta IBGE

O IPCA fechou em 0,24%. No ano, o preço do arroz acumula alta de 19,25% e o do feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%.

Por Ricardo Antunes
09/09/2020 - 11:08
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, do G1 — Puxado pela alta nos preços de alimentos e da gasolina, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,24% em agosto, abaixo da taxa de 0,36% registrada em julho, segundo divulgou nesta quarta-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, trata-se da terceiro avanço seguido e o maior resultado para um mês de agosto desde 2016, quando o IPCA foi de 0,44%. Em agosto de 2019, a taxa havia sido de 0,11%.

No acumulado em 2020, o IPCA registra alta de apenas de 0,70%, e em 12 meses, de 2,44%, ainda abaixo do piso da meta do governo para o ano, de 2,5%.

O resultado ficou ligeiramente acima da mediana das projeções de 33 analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data, que projetaram desaceleração do índice para 0,23% em agosto. O intervalo das estimativas ia de 0,17% a 0,32% de aumento.

O que mais pesou

Com alta de 3,08% em agosto, arroz passou a acumular no ano avanço de 19,25%, segundo o IBGE — Foto: Chico Escolano/EPTV

“Pesaram mais no bolso do consumidor, principalmente, a gasolina, que subiu pelo terceiro mês seguido, e os alimentos, que chegaram a registrar certa estabilidade de preços em julho, mas voltaram a subir em agosto. Para as famílias de menor renda, o impacto é maior”, destacou o IBGE.

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 6 tiveram alta em agosto. Os maiores avanços foram nos preços de transportes (0,82%) e de alimentação e bebidas (0,78%), com impactos de 0,16 e 0,15 ponto percentual, respectivamente no índice geral.

Em julho, os preços de alimentação e bebidas tinham registrado variação de apenas 0,01%.

Entre os itens que mais subiram em agosto, estão o tomate (12,98%), óleo de soja (9,48%) o leite longa vida (4,84%), frutas (3,37%), carnes (3,33%), e o arroz (3,08%).

A gasolina ficou 3,22% mais cara, em média, em agosto, sendo o item que mais contribuiu para o índice total do mês.

“O arroz acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, destacou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Alimentos com alta acumulada expressiva no ano:

  • manga: 61,63%
  • cebola: 50,40%
  • abobrinha: 46,87%
  • tainha: 39,99%
  • limão: 36,56%
  • morango: 31,99%
  • feijão-preto: 28,9%
  • leite longa vida: 22,99%
  • arroz: 19,25%
  • óleo de soja: 18,63%

Entre as razões para a alta no preço dos alimentos está a alta do dólar, o aumento da demanda externa e elevação das exportações de produtos como arroz, estimuladas por um real mais desvalorizado.

De acordo com o pesquisador, o auxílio emergencial também teve impacto sobre a inflação no mês. “Houve um efeito demanda que ajudou a manter esses preços dos alimentos mais altos”, avaliou Kislanov.

Entre as razões para a alta no preço dos alimentos está a alta do dólar, o aumento da demanda externa e elevação das exportações de produtos como arroz, estimuladas por um real mais desvalorizado.

 

Veja as taxas de variação por grupos

Alimentação e Bebidas: 0,78%
Habitação: 0,36%
Artigos de Residência: 0,56%
Vestuário: -0,78%
Transportes: 0,82%
Saúde e Cuidados Pessoais: 0,50%
Despesas Pessoais: -0,01%
Educação: -3,47%
Comunicação: 0,67%

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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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