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Ministro diz que não fará mais leilão de arroz e que basta incentivo ao produtor

Por Redação
03/07/2024 - 10:31
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Por G1 – O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse nesta quarta-feira (3) que o Brasil não deve, por enquanto, realizar novos leilões para importar arroz. A declaração foi dada em entrevista ao Em Ponto, na Globonews.

Ao longo do mês de maio, quando o Rio Grande do Sul foi devastado por enchentes, o governo federal anunciou que faria leilões para comprar arroz de outros países, já que o estado responde por 70% da produção. Na época, o RS já tinha colhido 80% da produção e associações afirmavam que não havia necessidade de trazer o produto de fora.

Mesmo assim, o governo seguiu com a decisão de importar, mas teve suas tentativas frustradas. O primeiro leilão, marcado para o dia 21 de maio, foi suspenso. Já o último, que aconteceu no dia 6 junho, foi anulado pelo governo federal após indícios de incapacidade técnica e financeira de algumas empresas vencedoras.

“Tivemos problemas, é fato, nós cancelamos esses leilões. Mas o fato real é que, com a sinalização de disponibilidade do governo de comprar arroz importado e abastecer o mercado brasileiro, além da volta da normalidade em estradas, os preços do arroz já cederam e voltamos aos preços normais”, disse.

“Já temos arroz, em algumas regiões do país, a R$ 19, R$20, R$ 23 e R$ 25, o pacote de cinco quilos, o que está dentro da normalidade. Então, me parece que é mais plausível nesse momento a gente monitorar o mercado, não havendo especulação, na minha avaliação não se faz necessário novos leilões”, acrescentou.
Segundo o ministro, o governo tem edital pronto e fará reunião com a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e representantes da indústria nesta quarta.

Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em foto do dia 9 de novembro de 2023. — Foto: Guilherme Martimon/MAPA
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em foto do dia 9 de novembro de 2023.

“Vamos buscar alguns compromissos com eles, de estabilidade de preço, de logística e frete. Eles mesmos podem nos dizer um momento, se for necessária, alguma intervenção do governo. Por ora é mais prudente, já que os preços cederam, que a gente tome outras atitudes de estímulo à produção. Não se faz necessário novos leilões de importação”, completou.

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, também irá se reunir com o setor nesta quarta, bem como o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A expectativa é de que seja assinado, no final do dia, um termo de compromisso e responsabilidade sobre os preços do arroz.

A Conab é uma estatal do Ministério da Agricultura responsável por gerir políticas agrícolas e o órgão que estava organizando os leilões de arroz.

Segundo apuração do g1, pelo acordo costurado, a Conab vai monitorar o mercado e, onde houver problema de abastecimento, o setor se comprometerá a colocar mais produto no mercado para reduzir o preço.

Pressão de produtores

Nos últimos dois meses, o governo federal foi bastante pressionado por produtores rurais sobre a necessidade de se importar arroz, já que as perdas na safra do RS não foram expressivas.

Um relatório da Conab de junho apontou que as inundações de maio geraram perdas de 100 mil toneladas na colheita de arroz no estado, um volume pequeno perto das 7 milhões de toneladas que o RS colheu este ano.

Após a anulação do leilão do dia 6 de junho – que previa importar 263 mil toneladas de arroz – o ministro da Agricultura foi convidado para uma audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, no dia 19 de junho, para dar explicações sobre a importação.

Na ocasião, Fávaro ressaltou – assim como em declarações anteriores – que a decisão de importar não tinha a ver com abastecimento, mas sim com a especulação e aumento nos preços internos do alimento.

Em um ano, o preço do arroz subiu mais de 20% para o consumidor. Em maio, durante as enchentes no RS, a alta foi de 1,4% em relação a abril, mas algumas regiões tiveram aumentos maiores, como Aracaju (+8%), Porto Alegre (+6%) e Vitória (+5%).

“Com a dificuldade logística, de emissão de nota fiscal, os preços do arroz para o consumidor dispararam depois das tragédias. Chegaram a quase R$ 40 um pacote de arroz”, relembrou o ministro, durante a entrevista para Globonews. “Por isso nós tentamos então a importação de arroz, leilões da Conab”.

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