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Home Economia

Nova alta de casos de Covid-19 ameaça retomada de empresas aéreas

Segunda onda do coronavírus aumenta o medo de voar e coincide com a aceleração da venda de passagens das companhias, muito fragilizadas pela pandemia

Por Ricardo Antunes
06/12/2020 - 12:12
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Por Ivan Martínez-Vargas, do Globo — A aviação civil, um dos segmentos mais afetados pela pandemia no mundo, vem experimentando uma retomada mais acelerada no Brasil que a prevista no início da crise. A expectativa é de que o ano termine com movimento equivalente a 65% dos níveis pré-Covid-19.

 

No entanto, a recuperação pode ser comprometida pelo aumento dos números da Covid-19 no país, elevando o risco de consequências mais drásticas de uma segunda onda de contágio com as três maiores companhia aéreas — Gol, Latam e Azul — ainda fragilizadas financeiramente.

Essa segunda onda do novo coronavírus, já incontestável na Europa e nos EUA, afeta a retomada dos voos internacionais em todo o planeta e acendeu um sinal amarelo para empresas e acionistas.

— No cenário doméstico, existe um receio crescente de voar com a aceleração dos casos de coronavírus. Isso faz com que as pessoas repensem as viagens. Por outro lado, já estão acostumadas a retomar a vida em meio à pandemia, e voar tem se mostrado mais seguro que fazer

No escuro. Funcionário da Latam usa luz ultravioleta para limpar interior de avião: alta nas infecções eleva incertezas | Foto: Nelson Almeida

Vacina anima mercado

A corretora reconhece o risco de que uma eventual segunda onda por aqui afete a demanda por voos, mas mantém recomendação de compra para papéis da Azul e neutra para os da Gol, ambas listadas na Bolsa brasileira. A vacina traz esperança ao mercado. Na quinta-feira, ações de Gol e Azul tiveram forte alta com avanço em planos de vacinação em países como o Reino Unido.

Para André Castellini, diretor da consultoria Bain & Company, especializado em aviação, o crescimento dos voos domésticos deve continuar, mas não no mesmo ritmo do observado até outubro. A previsão da Bain é que o nível de passageiros transportados em dezembro seja de algo entre 60% e 65% do observado no mesmo período de 2019, com crescimento ao longo de 2021.

Em junho do ano que vem, o patamar seria superior a 75% e, em dezembro, chegaria aos 85%, segundo a projeção.

— Nossa estimativa é mais conservadora que as das empresas aéreas, mas mesmo com a aceleração do número de internações no país, o impacto a curto prazo não é significativo porque as pessoas já planejaram suas viagens de fim de ano — diz Castellini.

O receio de voar diante da alta de infecções, na opinião dele, tem efeito mais imediato nas viagens de idosos e de executivos, o filão mais rentável das companhias aéreas.

— As viagens de negócios haviam caído 75%. Sem perspectiva de melhora no quadro da pandemia, as empresas devem manter ou ampliar restrições a viagens corporativas. Com a chegada de uma vacina, o que pode acontecer no primeiro trimestre de 2021, isso pode mudar — ressalta.

Os voos internacionais que têm como origem e destino o Brasil devem ter retomada ainda mais lenta que a prevista inicialmente, diz Castellini. A estimativa da Bain é de volume de passageiros equivalente a apenas algo entre 15% e 20% do nível pré-pandemia em dezembro, com crescimento a algo entre 45% e 60% em junho de 2021.

Latam Brasil é a companhia aérea com maior dependência de rotas internacionais.

Latam em reestruturação

Entre as três maiores aéreas do país, a Latam Brasil é a que tem maior dependência de rotas internacionais. Em nota, a empresa diz que vê “bastante equilíbrio entre a oferta de assentos e a real demanda por viagens aéreas neste momento”. Operou com 54% da capacidade em novembro.

O grupo, que passa por uma reestruturação desde o pedido de recuperação judicial nos EUA, em maio, conseguiu um crédito internacional em setembro de US$ 2,45 bilhões. De junho a setembro, o prejuízo da holding foi de US$ 573,1 milhões.

Na Azul, o prejuízo no terceiro trimestre foi de R$ 1,23 bilhão, mas a companhia é a que tem o maior nível de recuperação: operou com 58% da capacidade em outubro e pretende chegar a 70% em dezembro. Nos voos domésticos, a capacidade deve ser de 80% da de dezembro de 2019.

Azul ainda não conseguiu ajuda do BNDES durante segundo onda.

Sem ajuda do BNDES

A Azul foi a que chegou mais perto de obter o empréstimo negociado pelas aéreas com o BNDES e um consórcio de bancos privados — que não saiu para nenhuma das três grandes —, mas preferiu ir ao mercado. Captou R$ 1,7 bilhão com uma emissão de debêntures conversíveis em ações preferenciais (sem direito a voto). “Mesmo em um (eventual) novo cenário mais adverso e considerando os níveis atuais de consumo de caixa, a Azul conseguiria suportar sua operação por mais de cinco anos”, diz a empresa em nota.

A Azul deve encerrar o ano com consumo de caixa de R$ 1,5 milhão por dia e negocia com o sindicato dos aeronautas a antecipação do fim do acordo coletivo que previa redução de jornada de trabalho e salários de seus tripulantes.

A Gol, por outro lado, teve prejuízo de R$ 1,72 bilhão no terceiro trimestre, e prevê perda de R$ 3 milhões por dia no quarto. A companhia, que conseguiu renegociar dívidas e arrendamentos, viu a demanda em voos domésticos subir 5% no mês passado ante outubro, mas teve queda de 43,8% em relação a novembro de 2019. A previsão da Gol é chegar em dezembro com cerca de 80% da operação do ano passado.

Tags: CoronavírusCovid-19
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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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