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“Cantorias”, por José Paulo Cavalcanti Filho

Por Ricardo Antunes
19/11/2021 - 11:07
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*José Paulo Cavalcanti Filho — Em um 19 de novembro (de 1865), como hoje, nasceu o primeiro cantador/cordelista do Brasil, Leandro Gomes de Barros. Em Pombal, Paraíba (falecido aqui no Recife, em 04.03.1918, por conta da gripe espanhola). Autor de 240 obras, e até hoje considerado Maior Poeta Popular do Brasil, inspirou numerosos escritores. Entre eles Ariano Suassuna que, no Auto da Compadecida, aproveitou dois de seus folhetos: O Testamento do Cachorro e O Cavalo que Defecava Dinheiro. Em sua homenagem, 19 de novembro é considerado como Dia do Cordelista. Sem esquecer que a cantoria, desde a semana passada, é Patrimônio Oral e Imaterial do Brasil.

Aproveito a data para dizer que nenhum personagem representa melhor o Nordeste. Para Câmara Cascudo, “O cantador é a voz da multidão silenciosa, a presença do passado, o vestígio das emoções anteriores, a história sonora e humilde dos que não têm história”. E o grande Silvio Romero, fundador da Academia Brasileira de Letras, foi mais longe. Comparando a poesia clássica de seu tempo a “banho morno em bacia com sabonete simples e esponja”. Enquanto a dos cantadores é “água farta, rio que corre, mar que estronda”.

Fotografia de Leandro Gomes de Barros (início do século XX)

Cantador anda sempre acompanhado por sua viola. Menos o negro Inácio de Catingueira e Fabião das Queimadas, no século XIX (que usavam pandeiros). E até se encantar, não faz tanto tempo, o cego Aderaldo (rabeca). A viola surgiu depois da rabeca medieval. E antes da atual família de violinos. Diniz Vitorino, cantador de Monteiro (Paraíba), falou dela em versos:

Viola adorada, instrumento tão rude,

Divino alaúde de sons encantados,

Tu gemes no peito, escutando os gemidos

Dos risos feridos, dos sonhos frustrados…

Cantai, cantadores, fazei vossa festa!

A vida só presta com cantos assim.

Se fordes expulsos por gênios perversos,

Cantai vossos versos somente pra mim.

Trata-se, provavelmente, do primeiro instrumento de cordas que o Brasil conheceu. Importada pelos Jesuítas, de Portugal, para seus trabalhos de catequese. Junto com pandeiro, tamborim e flauta de madeira. Nossa viola de arame veio da guitarra espanhola. Tinha, então, 5 ou 6 cordas duplas. Ganhando outras, por aqui, ao longo do tempo. A mais usada, hoje, tem 10 cordas duplas – divididas em canotilha (bordão), toeira, turina, requinte e prima. Por simplificação, é cada vez mais frequente o uso de violões comuns de 6 cordas. Sem o bordão. Subindo, as 5 outras cordas, uma cravelha. E acrescentando-se mais uma, fina, em lugar da última.

Xilogravura representando o cantador Manuel Galdino Bandeira

Cantador canta sempre em dupla. São raríssimos os que aceitam se apresentar sozinhos. Como Manuel Galdino Bandeira ou Oliveira de Panelas. No início, em quase todos os gêneros, o último pé da estrofe anterior (penúltimo, em alguns casos), cantado por um cantador, era repetido por seu companheiro no começo da seguinte. Uma antiga regra de deixa-preu, ou deixa e torna, ainda hoje usada no Rio Grande do Sul, depois aprimorada em uma deixa brasileira. Sobretudo no Nordeste. Com os cantadores aqui, ao invés de repetir aquele último verso, construindo um novo. Com a mesma rima do anterior.

A cantoria segue em gêneros. São quase 100, os que conseguimos listar. Mais importante, sem dúvida, é a sextilha – seis versos de sete sílabas, rimando o segundo, o quarto e o sexto. Com o primeiro rimando com o último verso cantado pelo parceiro, a deixa. Sextilhas cantam-se por grupos, denominados baiões, sempre sobre um tema específico (em torno de 10 minutos, cada). E o público manifesta, com palmas e outros ruídos, sua aprovação, ou desaprovação, aos cantadores.

Antigamente, depois de cada cantoria, os cantadores amarravam uma fita colorida no braço da viola. Mas esse costume, hoje em dia, é cada vez mais raro. Por tudo, então, salve a sabedoria, a erudição, a simplicidade, a resistência, a cultura (levemente inculta), a língua certa do povo, astúcia, futuro prometido, miséria e opulência, realidade e ilusão, o pecado e o paraíso da voz iluminada dos cantadores nordestinos.

_______________________________

*José Paulo Cavalcanti Filho é advogado, jurista, e foi secretário-geral do Ministério da Justiça e Ministro interino da Justiça.

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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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