Do UOL — O ministro Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou hoje que a AtlasIntel não impulsione ou faça nova divulgação da pesquisa presidencial que usou um áudio de Flávio Bolsonaro (PL) com Daniel Vorcaro, do banco Master.
Flávio e o PL acionaram o TSE contra a pesquisa. Na representação, alegam que o questionário continha perguntas sobre o caso do Banco Master e sobre o senador Flávio Bolsonaro com termos de forte carga negativa, como “esquema de fraudes financeiras”. A pesquisa apresentou o áudio em que Flávio pedia dinheiro para o então banqueiro financiar o filme Dark Horse, que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio aparecia em desvantagem. Na pesquisa, registrada sob o número BR-06939/2026 no TSE, Flávio aparecia com uma queda de 6 pontos percentuais em relação ao presidente Lula (PT) na corrida presidencial.
Na decisão, Nunes considerou que o CEO da AtlasIntel, em entrevista à CNN, em 19 de maio, reconheceu o viés político do conteúdo. Para o ministro, as informações submetidas aos entrevistados representavam desgaste eleitoral para Flávio.
Na análise do pedido liminar, o presidente do TSE afirmou que, em exame preliminar, existem “elementos minimamente consistentes” que indicam possível comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa. Segundo ele, algumas perguntas aparentam extrapolar a simples aferição da opinião pública e introduzir estímulos narrativos capazes de influenciar respostas posteriores sobre intenção de voto, rejeição e imagem do pré-candidato.
De fato, tais circunstâncias corroboram os argumentos deduzidos na inicial acerca da possível utilização de estímulos indutivos aptos a contaminar as respostas subsequentes relativas à imagem, rejeição e intenção de voto, reforçando a plausibilidade jurídica da tese de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística.
Ministro Nunes Marques, presidente do TSE
Instituto não tinha usado metodologia antes. O ministro também destacou que outras 27 pesquisas registradas pela própria AtlasIntel não continham questionamentos semelhantes nem utilizavam peça audiovisual como a empregada no levantamento analisado, o que reforçaria os indícios de irregularidade.
O instituto entrevistou 5.023 eleitores por recrutamento digital aleatório entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
AtlasIntel deve se manifestar ao TSE. Na decisão, Nunes determina que o instituto apresente, em até dois dias, a “documentação técnica complementar diretamente relacionada aos pontos” questionados pelo PL.
O UOL entrou em contato com a AtlasIntel para um posicionamento. O espaço segue aberto.











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